Pandemia exclui mães do mercado de trabalho

Segundo ONU, a pandemia de covid-19 pode prejudicar perspectivas econômicas de mulheres por muitos anos

De acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), a pandemia de covid-19 está excluindo mães da força de trabalho no mundo. Segundo a organização, isso pode prejudicar as perspectivas econômicas das mulheres por muitos anos. 

A principal razão para a exclusão das mães do mercado de trabalho é a necessidade de cuidar dos filhos. O estudo, divulgado pela ONU Mulheres, mostrou que 1,7 bilhão de crianças foram afetadas pelo fechamento das escolas. Atualmente, cerca de 224 milhões continuam fora do colégio e quem cuida delas são predominantemente as mulheres, que acabam por sacrificar suas carreiras. 

Em muitos países, as mulheres são obrigadas a assumir uma parte cada vez maior dos cuidados com os filhos e das tarefas domésticas, mesmo quando seus parceiros também trabalham em casa.

No entanto, os homens também enfrentam dificuldades. Segundo o Valor Econômico, “um estudo realizado pela ONU Mulheres e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que, em 55 países de renda alta e média, cerca de 29 milhões de homens perderam ou deixaram seus empregos entre o quarto trimestre do ano passado e o segundo trimestre de 2020”. Essa quantidade é aproximadamente a mesma quantidade de mulheres que perderam ou deixaram seus empregos. Porém, como há menos mulheres que homens na força de trabalho, o número tem um impacto maior. 

A preocupação da ONU é que muitas mulheres podem não conseguir mais voltar a trabalhar, principalmente em regiões atingidas com mais força pela covid-19 como, por exemplo, na América Latina, onde o estudo constatou que 83 milhões de mulheres estão fora da força de trabalho, em comparação com 66 milhões antes da pandemia.

No início da semana passada, a diretora-executiva da Onu Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka disse que as mulheres precisam estar no centro da discussão quando os governos voltam sua atenção para a recuperação do impacto econômico e social da covid-19. Segundo ela, a pandemia já ameaça eliminar décadas de avanço na igualdade de gênero e no empoderamento do sexo feminino. Ela afirmou que em 2030, pode haver 121 mulheres na pobreza para cada 100 homens pobres em todo o mundo, e as mais afetadas serão as mulheres jovens entre 25 e 34 anos – a idade em que muitas formam uma família.

De acordo com reportagem do Valor, alguns países estão trabalhando para ajudar as mulheres a superar o pior do que alguns economistas chamam de recessão cor-de-rosa. A Austrália e a Costa Rica, por exemplo, estão tomando medidas para garantir que os serviços de creche permaneçam abertos durante as quarentenas. Já o Egito, Geórgia e Marrocos deram adiantamentos em dinheiro para mulheres comerciantes e empresárias. Na Europa, líderes se concentram em manter as escolas abertas neste final de ano.