Bolsa aponta lucros de 5.000% no longo prazo

Feita pela Economatica, a pesquisa mostrou que os papéis de companhias como Ambev, Banco Alfa, Cemig, Itaú e Vivo subiram mais de 5.000% desde 1986

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Apesar de diversos problemas – como crises econômicas e políticas -, quem investiu em ações a longo prazo no Brasil ganhou dinheiro. Segundo levantamento feito pela empresa Economatica – a pedido do InfoMoney -, os papéis de companhias como Ambev, Banco Alfa, Cemig, Itaú e Vivo subiram mais de 5.000% desde 1986, quando os dados começaram a ser compilados.

De acordo com reportagem do InfoMoney, a valorização desconta a inflação medida IGP-DI e, para entrar na lista, as ações necessitam ter participado de pelo menos 70% dos pregões no período.

De acordo com o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, essas ações têm em comum o fato de serem papéis de companhias de setores mais defensivos e que nem sempre parecem muito empolgantes para o investidor. No entanto, como geram muito caixa, são setores pouco voláteis e distribuem dividendos de forma regular, entregando bons retornos em prazos longos. 

Segundo o cofundador e apresentador do podcast Stock Pickers, do InfoMoney, Thiago Salomão, essas empresas estão há muito tempo no mercado. Ele citou como exemplo a Cemig, que não está tão bem no momento, porém é um caso de uma empresa que vive em um setor que gera mais caixa em quem investe nela desde 1986. 

A Alfa é uma instituição que já foi grande na Bolsa, mas que hoje é desconhecida por boa parte dos investidores mais novos e com baixo volume negociado. A empresa é uma das ações favoritas de Luiz Alves Paes de Barros, sócio da gestora Alaska, que tem atualmente, 12,63% das ações em circulação do banco.

Ibovespa em 50 anos

A Economatica analisou ainda o comportamento do Ibovespa nos últimos 50 anos. Segundo reportagem do InfoMoney, “nesse período, o principal índice de ações da Bolsa subiu 642%, valor corrigido pela inflação medida pelo IGP-DI. Em dólares, a alta foi de 5.188%. No mesmo período, a poupança rendeu apenas 37%”.Segundo o estudo, o Ibovespa atingiu a máxima histórica – ajustada pela inflação – em 20 de maio de 2008, aos 165.586 pontos.

Segundo Fernando Ferreira, essa imagem mostra que, mesmo com todas as crises e histórico volátil do Brasil, com a ditadura, inflação, diversas crises e trocas de moeda, o retorno médio do Ibovespa ainda supera qualquer outro investimento. 

É possível notar também que sempre que surge uma crise, um ano ruim, mais a recuperação vem em seguida.

De acordo com o levantamento, o pior ano da bolsa do Brasil foi em 1990, quando houve queda do Ibovespa de 74,11% por conta do confisco da poupança no governo. 

Fernando Ferreira afirma que o investidor não deve vender tudo quando ocorre alguma queda forte do mercado, porque isso faz com que ele acabe perdendo boa parte da recuperação.

O conselho que ele dá é diversificar a carteira e dividir o portfólio destinado a ações. Segundo o InfoMoney, “uma parte deve ser formada por papéis vistos como investimentos de longo prazo (que devem ser mantidos mesmo em momentos de crise). Outra parcela pode adotar uma estratégia mais oportunista e de curto prazo, para aproveitar os altos e baixos do mercado”.