Venda de veículos aquece e lojistas têm problema de reposição de estoque

A reposição não está acompanhando o ritmo da demanda elevada

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Os protocolos de biossegurança em razão da pandemia de Covid-19 foram adotados para evitar o colapso imediato do SUS. No entanto, essas medidas refletiram um impacto muito negativo sobre a economia. Enquanto os setores se esforçam para se levantar, a indústria automotiva se destaca não só com alta, como também deixando os lojistas sem estoque.

Se por um lado o cenário é positivo pelo crescimento de vendas, por outro a reposição não está acompanhando o ritmo da demanda elevada. Um sinal de que a renda dos brasileiros ainda está curta para a compra do carro novo é o aumento das vendas de carros usados. Atualmente, para um carro novo comercializado, cinco seminovos são vendidos.

Em outubro, foram 215 mil novos e 1,13 milhão de usados vendidos. O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, esclareceu que os seminovos são o menor poder aquisitivo. Segundo ele, muitas pessoas venderam o veículo mais novo e compraram um usado para ter dinheiro de volta. Ele lembra ainda que, com a pandemia, muitos consumidores adquiriram um usado para evitar o transporte público.

O medo da população de pegar transporte público, ao mesmo tempo que aumenta a procura por um carro, também faz com que a maioria das pessoas que já têm um na garagem não queiram vender por segurança pessoal — pelo menos não neste momento de pandemia. Então, a rotatividade de venda nas lojas está bem menor que a normal.

O otimismo com a continuidade das vendas é grande, mas solucionar o problema dos estoques ainda será um desafio nos próximos meses. O executivo afirma que as montadoras também enfrentam outros desafios, como a falta de insumos e peças e uma desvalorização cambial de mais de 40% no ano, como o aço, por exemplo.

Essa desvalorização cambial já chegou no preço final, e cada montadora fez o reajuste de preços de forma individual, dependendo do modelo. Moraes observa que muitas empresas já retomaram horas extras, segundo turno e jornadas adicionais para elevar a produção, mas o terceiro turno ainda depende da certeza de que a demanda será permanente.