Assassinato ocorrido no Carrefour resultou em prejuízo de R$ 2 bilhões na bolsa

Varejistas como GPA e Mateus retiraram parte de suas ações das lojas

Foto: reprodução

Depois da noite do assassinato de João Alberto Freitas, um homem negro, em de suas lojas, o Carrefour, de forma imediata, obteve um prejuízo de R$ 2 bilhões de seu valor de mercado. A rede conhecida por outros episódios que causaram revolta na população, registrou regresso econômico para R$ 38,3 bilhões. Além disso, varejistas como GPA e Mateus retiraram parte de suas ações das lojas.

O episódio resultou em suspensões de campanhas publicitárias, o Carrefour teve de chegar a essa decisão a fim de convencer seus clientes e parceiros de que as regras internas e penalidades nesses casos serão mais rígidas. A rede busca gerenciar a situação de crise depois de dois seguranças espancarem João até a morte.

Ações em recuo desde o episódio no Carrefour

Na noite de sexta-feira, o Carrefour registrou alta de apenas 0,49%, suas ações também foram ladeira abaixo, cedendo de 5,35% para R$ 19,30. O Ibovespa subiu 1,26%. Além do Carrefour, a rede de supermercados Mateus sofreu queda de 1,96% em seus papéis, enquanto a ação ON do grupo Pão de Açúcar teve perda de 3,9%.

Segundo a equipe da Genial Institucional, a morte de Freitas pode gerar pressão sobre o estoque no curto prazo devido a riscos à sua imagem, embora não deva afetar a operação no longo prazo. As vendas passaram a sofrer redução a partir dos protestos realizados na frente de algumas lojas do Carrefour em pelo menos cinco estados.

Relatos de erros iniciais

Houve erros iniciais, como o fato de o CEO no país Noel Prioux dar explicações somente no sábado à noite, dois dias depois após o ocorrido, e depois de CEO global do grupo Carrefour, Alexandre Bompard ter criticado a subsidiária, relatou a professora titular da ECA/USP e especializada em consumo e sociedade contemporânea, Maria Clotilde Perez Rodrigues.

Em declaração, Prioux se retratou sobre o ocorrido, segundo ele, a expectativa era que o presidente no país aparecesse já nas primeiras 24 horas, e parte do discurso não foi bem, falando que, como homem branco, não compreendia aquele desastre. Como não entende por ser branco? Ele pediu desculpas e afirmou que a extensão da tragédia estava além da sua compreensão, considerando sua posição de “homem branco e privilegiado”.

Comitê de apoio a causas antirracistas

Alexandre Las Casas, professor titular da PUC/SP, autor do livro “Marketing de Varejo” declarou que há medidas certas tomadas até agora, como a definição de um comitê de apoio a causas antirracistas, mas haverá pressão maior por medidas mais enérgicas que ainda não vieram.

Esse comitê deve ter seus nomes divulgados nos próximos dias. Casas diz entender que daqui para frente é que vai se verificar se o que foi falado pela companhia realmente vai ficar de pé e se medidas rápidas serão tomadas mesmo, inclusive em relação à forma como trabalha com seus terceirizados.

E para a semana mais aguardada no Brasil, a Black Friday, o Carrefour freou suas ações publicitárias e em redes sociais e não deve esperar sucesso de vendas diante do ocorrido. Segundo uma fonte, as ações estarão paralisadas até segunda ordem.