Startup paulista cria copos e embalagens biodegradáveis feitos de mandioca

A inovação está em unir biotecnologia com equipamentos criados pela startup

Foto: Divulgação

Com a intenção de reduzir ou eliminar o desperdício e o impacto ambiental, o consumo sustentável é a forma mais responsável de adquirir produtos, uma vez que leva em consideração as formas de produção, uso e descarte. Para isso, uma startup paulista utiliza para sua produção um ingrediente bem brasileiro: a mandioca.

A Já Fui Mandioca usa o amido ou a fécula da mandioca brava, que não é própria para consumo humano. A inovação está em unir biotecnologia com equipamentos criados pela startup, que transformam o amido em uma embalagem completamente ecológica. Quando inseridas no meio ambiente, as embalagens se tornam adubo em até 90 dias. 

O CEO da startup, Stelvio Mazza, explica que há vários motivos para a escolha do ingrediente. Segundo ele, o Brasil é um dos maiores produtores de mandioca do mundo. E, de modo geral, quem planta mandioca são pequenos agricultores. Além disso, só ela consegue dar propriedades físico-químicas para fazer o processo.

A tecnologia, segundo Mazza, vem sendo desenvolvida há 16 anos e um dos desafios foi conseguir fabricar em larga escala. O maquinário diminuiu o tempo de produção e aumentou o número de embalagens fabricadas. Assim, a empresa ficou viável comercialmente. No catálogo, oferece potes, pratos e embalagens para delivery.

Os planos de expansão envolvem um próximo lançamento: potes de sorvete. Com isso, a startup vem dobrando a produção a cada ano e, embora tenha sido afetada pela pandemia de Covid-19, a expectativa é de crescimento. Mazza não revelou o faturamento deste ano, mas espera faturar R$ 4 milhões em 2021, graças a mandioca.

O empresário afirma que grande parte da demanda são para eventos ou escritórios, como os do Facebook e da Uber. Apesar do foco ser no mercado brasileiro, há demanda de todo lugar do mundo, e já há planos de exportar em longo prazo. Os produtos custam de R$ 0,60 a quase R$ 3 a unidade, mais caros do que os de produtos não degradáveis.