Diversidade e oportunidades iguais dão propulsão à competitividade do Brasil

Na Live do Valor, o empreendedor afirmou ainda que a tarefa de promover isso não deve ficar restrita apenas ao poder público

O fundador e CEO do Instituto Gerando Falcões, Edu Lyra comentou a polêmica causada pela política de cotas raciais adotada pelo Magazine Luiza, Lyra disse que o Brasil não vai conseguir explorar seu potencial econômico e de bem-estar social sem promover a diversidade e a igualdade de oportunidades.

Ele afirmou, em entrevista para a Live do Valor Econômico, que essa tarefa não pode ficar restrita apenas ao poder público, tendo que ser ampliada ao setor privado e à sociedade. 

Para Lyra, se misturar todo mundo para criar, discutir, cooperar, haverá resultados muito mais poderosos. Diversidade e igualdade é o caminho mais curto para tornar o Brasil mais competitivo. E, em um país com histórico de mais de três séculos de escravidão, políticas que fomentam a igualdade deveriam ser prioridade nas empresas. Ele citou ainda Luiza Trajano, empresária brasileira que comanda a rede de lojas de varejo Magazine Luiza, como uma figura pública que faz um trabalho fundamental de conscientização. 

Lyra, que nasceu e cresceu em uma comunidade de Guarulhos, município da Região Metropolitana de São Paulo, afirmou ainda que, na história das periferias, ocasionalmente alguém consegue romper com o padrão de miséria e falta de oportunidades. Como algumas das saídas para romper esse padrão, Lyra cita a criação de políticas públicas voltadas para essas  regiões, além do estímulo ao empreendedorismo social. Ele afirma que é preciso mais empreendedores e lideranças que criem processos e estratégias para solucionar os problemas desses territórios, trabalhando num formato e cooperação, de modo a acelerar a transformação social.

O Instituto Gerando Falcões é hoje uma rede de 90 ONGs atuando em 300 favelas. A meta é em três anos, chegar a 300 organizações e 1200 comunidades, cerca de 20% das favelas no país. O instituto foi responsável por fundar uma universidade da liderança social 

para capacitar lideranças sociais. 

Lyra foi questionado sobre como fortalecer a rede de assistência diante de um governo que despreza ações afirmativas. Para ele, há duas frentes possíveis: a de cobrar, de um lado, e a de propor e agir coletivamente, de outro. O que vale para cidadãos e iniciativa privada.