Modelo de “live shopping” será testado em larga escala na Black Friday deste ano

A ferramenta de marketing junta entretenimento e venda, além de parcerias com influenciadores

Foto: Reprodução

Em razão do distanciamento social, as lives se tornaram o formato de entretenimento do ano. Neste cenário, com a Black Friday, o live shopping ganha espaço ao unir e-commerce e live streaming. A ferramenta de marketing junta entretenimento e venda, além de parcerias com influenciadores, que são opções promissoras de engajamento.

Em uma transmissão ao vivo de live shopping, a câmera vira sua vitrine. O formato permite que o consumidor, na mesma tela em que acompanha um evento, selecione, tire dúvidas e compre um produto de sua preferência. O live shopping não é novidade na China, a tendência movimenta milhares de vendedores on-line e mais de US$ 100 bilhões.

O novo formato de vendas é apontado como o futuro do e-commerce. Quando se transmite uma live, você abre a possibilidade de um contato em tempo real, e essa nova forma de interagir desperta a participação e curiosidade do público. O poder de decisão de compra é influenciado simultaneamente entre os espectadores.

Live shopping na Black Friday

A B2W Digital, empresa de comércio eletrônico criada pela fusão entre Submarino, Shoptime e Americanas, já vinha testando a estratégia, mas é na próxima Black Friday, em 27 de novembro, que vai estreá-la em grande escala com um evento de mais de três horas, em parceria com o Google e apresentado por Felipe Neto.

O gerente executivo da Plataforma Digital da Americanas, Leonardo Rocha, afirmou que a eficiência de venda do live shopping já deu algumas amostras em números: oito vezes mais compras do que um produto que não está sendo apresentado, dez vezes mais visitas e três vezes mais tempo do cliente no site.

Além da própria rede de informação da empresa na China, a Americanas contratou a influenciadora da área de beleza Camila Coutinho como curadora e participante, para os eventos on-line. Ela esteve na China pouco antes da pandemia para observar como o novo fenômeno do marketing funciona no mercado de lá.

Para o executivo, o fenômeno chinês tem grande chance de acontecer no Brasil, uma vez que os brasileiros são os que mais usam redes sociais no mundo, 6% a mais que no leste da Ásia. Além de ser o terceiro do mundo que mais gasta tempo em redes sociais, cerca de três horas e meia, segundo dados da plataforma Hootsuite.

Já a operadora Claro deu início à transmissão em tempo real de uma Live Store, mas terá na Black Friday sua grande oportunidade de vendas. A iniciativa, idealizada e desenvolvida pelo hub de inovação da ID\TBWA, reúne tecnologias de streaming, chatbot e e-commerce para simular a experiência de uma loja Claro no digital.

A Live Store permite a compra de celulares, acessórios e planos, além de tirar dúvidas com consultores especializados. A loja virtual também promete oferecer unboxings, reviews e tutoriais para o uso de diversos gadgets, smartphones e acessórios da marca. Além disso, estão previstas entrevistas com convidados. 

Estúdio desenvolvido pela Claro reproduz ambiente das lojas físicas (Foto: Divulgação)

Gustavo Furtado, diretor executivo da loja de artigos esportivos Centauro, também visou o novo formato de vendas e foi à China no início do ano. Lá, ele observou a força da venda do marketing dos influenciadores. Ele ressalta que não dá para copiar o cenário da China, uma vez que tudo que acontece lá em termos de tecnologia é muito mais rápido.

O executivo observou como tudo está interligado e as pequenas inovações são acrescentadas a todo o momento. Ele acredita que o avanço da tecnologia de meios de pagamento vem facilitando as vendas pela internet cada vez mais e transformando experiências de compra no varejo.