Drogas psicodélicas devem ter um crescimento de 16,3%

Cresceram o número de startups e novos departamentos de pesquisa em grandes corporações, contribuindo para as boas expectativas

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Nos últimos tempos, tem crescido o interesse no uso medicinal de drogas psicodélicas. Os números da indústria apontam que os investidores esperam um crescimento anual de 16,3% e um mercado de US$ 6,85 bilhões em 2027, conforme dados do instituto Data Bridge Market Research.

Apareceram startups e novos departamentos de pesquisa em grandes corporações, contribuindo para as boas expectativas. Todos empenhados em desenvolvimento de moléculas sintéticas, aperfeiçoamento de cultivo, criação de compostos para formulação de remédios e de produtos ligados ao bem-estar, protocolos médicos e centros de tratamento.

Além disso, estão em busca por negócios periféricos, voltados a educação e software, por exemplo. Os psicodélicos são amparados por uma base científica sólida e resultante de pesquisas e estudos clínicos feitos por gigantes — no Brasil, as federais do Rio Grande do Norte e do Rio de Janeiro, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e a Unicamp.

Está documentado que essas drogas atuam no neurotransmissor serotonina, relacionado a sensações de prazer e bem-estar. Quando usadas como instrumento terapêutico, facilitam o acesso a pensamentos, vivências e lembranças. O paciente consegue identificar situações e emoções que estão na base de doenças psiquiátricas graves.

Israel investe em pesquisas e seu governo destinou verba de US$ 500 mil a estudos do setor, saindo na frente entre os países interessados. No Canadá, foi aberta a primeira empresa autorizada a padronizar a extração da psilocibina dos “cogumelos mágicos” e foi liberado o tratamento paliativo de doentes terminais.

No mundo, já ingressaram nas bolsas de valores 18 empresas do segmento, uma delas voltada especificamente à produção de drogas psicodélicas — a canadense MindMed. Na última década, a depressão ganhou status de epidemia global, causando prejuízos à produtividade da ordem de US$ 1 trilhão e inflando o mercado de antidepressivos.

Desta forma, este é hoje um setor com movimentação avaliada em US$ 13 bilhões em 2018, e que deve chegar a US$ 16 bilhões em 2025, segundo o site Medgadget. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em mais de 330 milhões o número de doentes no mundo — a depressão é o distúrbio mais incapacitante do globo.

A substância psicodélica pode ser sintética ou extraída da natureza (veja detalhes mais abaixo). As mais estudadas até o momento são LSD e MDMA (a metilenodioximetanfetamina, denominada popularmente ecstasy ou molly), sintetizadas em laboratório, e psilocibina, ibogaína e ayahuasca, encontradas em plantas.

Conheça as principais substâncias e aplicações terapêuticas pesquisadas:

CETAMINA
Droga sintética
Potencial Terapêutico: tratamento de dor, depressão refratária e dependência química (heroína e álcool)

IBOGAÍNA
Droga natural, extraída da planta Iboga (Tabernanthe iboga)
Potencial Terapêutico: tratamento de dependência química (incluindo opioides, cocaína e álcool), mal de Parkinson, hepatite C e síndrome de Tourette

MESCALINA
Droga natural, encontrada em tipos específicos de cactos
Potencial Terapêutico: tratamento de dependência química

LSD
Droga sintética
Potencial Terapêutico: tratamento de alcoolismo, ansiedade e cefaleia em salvas

DMT
É consumida na forma de infusão, conhecida no Brasil como “chá do Santo Daime”
Potencial Terapêutico: utilização na prevenção de suicídio e tratamento de depressão, dependência química, ansiedade ligada a doenças fatais e TEPT

MDMA
Droga sintética, também chamada de “molly” e “ectasy”
Potencial Terapêutico: tratamento de ansiedade ligada a doenças fatais, TEPT e ansiedade social em autistas adultos

PSILOCIBINA
Droga natural, encontrada em cogumelos
Potencial Terapêutico: tratamento de depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e anorexia nervosa