Brasil fecha acordos bilaterais com os EUA para gerar oportunidades de negócios

Os acordos buscam reduzir burocracias e trazer ainda mais crescimento ao comércio entre os países

No começo desta semana, em discurso durante o US-Brazil Connect Summit – evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos -, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil e os EUA fecham três acordos bilaterais que buscam reduzir burocracias e trazer ainda mais crescimento ao comércio entre ambos, com efeitos benéficos também para o fluxo de investimentos. 

O primeiro termo do acordo prevê abolição de barreiras não-tarifárias no comércio, como a simplificação de procedimentos burocráticos – conhecida no jargão empresarial como facilitação de comércio -, diminuindo o prazo e os custos das operações realizadas por agentes privados.

O segundo anexo entre em acordo com os esforços do governo federal para tornar o ambiente de negócios no Brasil mais transparente, previsível e aberto à concorrência com a adoção de práticas regulatórias – que proíbem, por exemplo, que agências reguladoras de cada país mudem regras sobre produtos sem que exportadores do outro país possam se manifestar previamente. 

O terceiro acordo expande para além da esfera estritamente criminal a atuação doméstica e a cooperação internacional anticorrupção, abrangendo também as esferas civil e administrativa. O Itamaraty explicou que se trata de evolução relevante nas tarefas de combater, mediante a recuperação de ativos, o eixo central das cadeias delitivas organizadas: seus fluxos financeiros. 

Segundo reportagem da BBC, a mudança afeta todos os setores e pode ter efeito considerável para parte deles. Em entrevista ao jornal, o vice-presidente-executivo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Árabe Neto afirmou que a Organização Mundial do Comércio estima que a facilitação de comércio pode reduzir em até 13% os custos de exportação para os produtores, e a adoção de boas práticas regulatórias pode cortar em 20% as despesas para exportadores. Para ele, é algo significativo em um ambiente em que vários setores brigam pela diminuição de um ou dois pontos percentuais em tarifas.

Bolsonaro afirmou que a prioridade que o Brasil tem nesta relação é “clara e sincera” e que para o futuro, vislumbra um arrojado acordo tributário, um abrangente acordo comercial e uma ousada parceria entre os países para redesenhar as cadeias globais de produção. 

Ibovespa retoma 100 mil pontos com bancos e exterior

Na terça-feira, um dia depois do anúncio das negociações entre Brasil e EUA, o Ibovespa ganhou força diante do bom desempenho das ações em Wall Street. Segundo o Valor Econômico, o que impulsiona os ativos de risco é a expectativa de que democratas e republicanos cheguem a um acordo sobre um novo pacote fiscal nos Estados Unidos. 

O jornal afirma que “por volta das 14h10, o Ibovespa subia 1,87%, aos 100.505 pontos, depois de tocar 100.571 pontos na máxima do dia. Lá fora, o índice Dow Jones avançava 0,89%, enquanto o Nasdaq ganhava 0,86% e o S&P 500 subia 0,99%”. 

Em Nova York, o setor financeiro se beneficia da perspectiva de um novo pacote de socorro. Isso se reflete no Brasil com a firme alta das ações do setor bancário e na redução das perdas que têm sido acumuladas neste ano. Outro fator que favorece o setor bancário  é a perspectiva positiva com a temporada de balanços do terceiro trimestre. De acordo com o Valor, “a expectativa é que os resultados sejam beneficiados pela redução de provisões e melhora na receita com tarifas”.

Itaú Unibanco PN subia 4,11%, Bradesco ON avançava 4,08% e Bradesco PN ganhava 4,61%. Já Banco do Brasil ON subia 3,86% e Santander Units avançavam 3,10%. No ano, esses papéis ainda acumulam perdas de mais de 30%.