Facebook reage a críticas do documentário “Dilema das Redes”

Segundo a empresa, documentário “O Dilema das Redes” oferece visão distorcida das redes sociais

Produzido pela Netflix, o documentário “O Dilema da Redes” fala sobre os perigos que a coleta de dados das redes sociais podem causar aos usuários individualmente e enquanto sociedade. O filme traz diversos ex-funcionários de empresas de tecnologia que explicam como funcionam os algoritmos e como as redes manipulam o cérebro do usuário para mantê-lo o maior tempo possível dentro delas.

Neste mês, em documento, o Facebook decidiu responder as críticas do documentário. Para a empresa, a obra não condiz com a realidade e não reconhece os atuais esforços realizados pelas companhias para enfrentamento dos problemas levantados. Em vez disso, o filme traz apenas comentários daqueles que estão fora das plataformas há vários anos. 

Vício nas Redes 

O Facebook negou que a rede social  foi desenvolvida para “viciar”. A empresa explicou que oferece ferramentas para permitir que o usuário controle o tempo gasto no serviço – como, por exemplo, painel de atividades e desativação de notificações. 

Se é de graça, você é o produto? 

A empresa também rebateu a máxima “Se é de graça, você é o produto” utilizada no filme. “Mas mesmo quando as empresas compram anúncios na rede social, elas não sabem quem você é. Nós fornecemos aos anunciantes relatórios sobre os tipos de pessoas que estão vendo seus anúncios e o desempenho dos mesmos, mas não compartilhamos informações que o identifiquem pessoalmente ou vendemos as suas informações a qualquer pessoa. Você sempre pode ver os ‘interesses’ atribuídos a você em suas preferências de anúncio e, se quiser, pode removê-los”, afirma a empresa no documento. 

Algoritmos 

Quanto aos algoritmos, a empresa afirma que os utiliza para melhorar a experiência dos usuários “como qualquer aplicativo de namoro, da Amazon, Uber e inúmeros outros aplicativos voltados para o consumidor”. 

O Facebook disse que algoritmos e aprendizado de máquina melhoram os serviços. “Por exemplo, no Facebook, nós os usamos para mostrar conteúdo que é mais relevante dentro daquilo que as pessoas estão interessadas, sejam postagens de amigos ou anúncios”. 

Polarização

Outro ponto levantado pelo documentário foi o papel das plataformas online na polarização da sociedade. Para se defender, o Facebook argumentou que a polarização e o populismo já existiam antes das redes sociais. A empresa explica que toma medidas dentro do produto para gerenciar e minimizar a disseminação deste tipo de conteúdo. 

“A maioria do conteúdo que as pessoas veem no Facebook não é polarizador ou mesmo político – é o conteúdo do dia a dia dos amigos e família das pessoas. Embora algumas postagens de fontes de notícias mais polarizadas recebam muitas interações, curtidas ou comentários, este conteúdo é uma pequena porcentagem do que a maioria das pessoas vê no Facebook. Notícias desses tipos de Páginas também não representam as notícias mais vistas no Facebook”, diz o Facebook.

A empresa afirmou ainda que reduziu a quantidade de conteúdo polarizador na plataforma – como, por exemplo, links para manchetes caça-clique ou desinformação. 

“Conduzimos nossas próprias pesquisas – e financiamos diretamente pesquisas de acadêmicos independentes- para entender melhor como nossos produtos podem contribuir à polarização e para que possamos continuar a administrar isso com responsabilidade”.

Eleições

O Facebook admitiu que cometeu erros na eleição de 2016 nos Estados Unidos, mas afirmou que desde então trabalha para construir defesas fortes para impedir que as pessoas usem o Facebook para interferir em eleições. 

Segundo a empresa, houve uma melhora na segurança e agora, há equipes e sistemas trabalhando para evitar ataques. 

“Removemos mais de 100 redes em todo o mundo que se engajaram em comportamento inautêntico coordenado nos últimos anos, inclusive antes de outras eleições globais importantes desde 2016. Para tornar os anúncios – em particular os políticos e sociais – mais transparentes, em 2018, criamos uma Biblioteca de Anúncios que faz com que todos os anúncios veiculados no Facebook fiquem visíveis para as pessoas, mesmo que você não tenha visto o anúncio em seu Feed”.

O Facebook argumenta também que tem políticas que proíbem a supressão de eleitores e, nos EUA, entre março e maio deste ano, removeram mais de 100.000 conteúdos do Facebook e Instagram por violarem as políticas de interferência eleitoral. A rede também explicou que houve esforços para garantir a integridade da eleição dos EUA em 2020, encorajando o voto e conectando os usuários com informações confiáveis sobre as eleições. 

Desinformação

A empresa afirmou que a ideia de que permite a perpetuação da desinformação na rede social está errada. O Facebook disse ser a única grande plataforma com uma rede global de mais de 70 checadores de fatos parceiros, que trabalham para revisar o conteúdo em diferentes idiomas no mundo. 

“O conteúdo identificado como falso por nossos parceiros de checagem de fatos é rotulado e rebaixado no Feed de Notícias. Desinformação que tem potencial para contribuir para a violência iminente, dano físico e supressão eleitoral é removido imediatamente, incluindo desinformação sobre COVID-19”.

Apesar do que o filme diz, afirma o Facebook, a empresa não quer discurso de ódio na plataforma e trabalha para removê-lo. “Embora uma postagem já represente muito, nós fizemos grandes melhorias nesta área. Removemos mais de 22 milhões conteúdos de discurso de ódio no segundo trimestre de 2020, mais de 94% deles foram encontrados antes de alguém denunciar – um aumento em relação ao trimestre anterior, quando removemos 9,6 milhões de postagens, mais de 88% das quais encontradas antes de terem sido denunciadas para nós por qualquer pessoa”. 

“Sabemos que nossos sistemas não são perfeitos e há coisas que precisamos aprimorar. Mas não estamos de braços cruzados e permitindo que desinformação ou discurso de ódio repercutam no Facebook”, finalizou a rede.