Fundos com estratégia quantitativa crescem no Brasil durante a pandemia

Apesar de serem ainda novos no Brasil, mais gestoras tradicionais trazem a técnica para dentro delas

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Apesar de ainda serem novos no Brasil, os fundos quantitativos, que desenvolvem robôs para prever o futuro dos preços dos ativos por meio de inteligência artificial, conseguiram fugir da crise econômica motivada pela pandemia de Covid-19 e crescer no país. Agora, o Brasil possui mais gestoras tradicionais que trazem a técnica para dentro delas.

Vários deles se propõem a ter baixa ou nenhuma correlação com a bolsa ou dólar, e essa foi uma das razões que fez os fizeram se destacar na pandemia. Esses fundos ganham dinheiro investindo em bolsa, dólar e juros e ativos no exterior, como outros fundos multimercados, ou apenas em papéis de empresas, como outros fundos de ações. 

Os fundos de investimentos com estratégia quantitativa funcionam da seguinte forma: eles utilizam de algoritmos para analisar e efetuar a compra e venda dos ativos e, embora a tese de investimento venha de gestores, a proposta é que os fundos apliquem a gestão sem interferência humana, somente por meio de computadores.

O objetivo pode ser bater determinado índice ou ter o máximo de retorno possível dado um nível de risco. Além disso, essa categoria de investimentos também cobram uma taxa de administração e uma taxa de performance, normalmente sobre o CDI. A mudança está no método científico, adaptado no processo de investimento em menor ou maior escala.

Entretanto, como qualquer outro tipo de investimento de renda variável, nem sempre o resultado pode ser o esperado. Nos últimos três anos, existiram períodos de grandes quedas de retornos, apesar da tendência de alta. Mas, ao contrário do Ibovespa, quando a pandemia começou, eles não despencaram tanto.

O Ibovespa, mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3, acumula perda de 16,1% no ano e o CDI rendeu 2,1% no período, no mesmo momento em que alguns dos fundos quantitativos mais notáveis e renomados tiveram retorno de aproximadamente 7% — até 21 de setembro.

O Brasil está há mais de 12 anos na indústria sem conseguir firmar os pés. Enquanto nos Estados Unidos grande parte dos fundos multimercados já são quantitativos. Os especialistas acreditam que uma das razões dos fundos quantitativos ainda serem pouco conhecidos no Brasil é que ainda é difícil compreender do que os robôs são capazes.

A grande diferença da gestão quantitativa para a gestão tradicional é a capacidade de processamento. Enquanto que os gestores conseguem acompanhar apenas dezenas de indicadores do mercado, os algoritmos são capazes de processar rapidamente milhões de dados do mundo todo. Em geral, a análise das máquinas tem por trás a ideia do gestor.

A função do gestor é desenvolver e aprimorar robôs que criam previsões e constroem carteiras, fundamentados em dados. Os referidos dados podem ser os mais variados: das opiniões dos analistas das corretoras nos relatórios aos balanços das empresas; das feições de Donald Trump nas fotos à previsão do tempo. Cada fundo tem vários robôs e o que um robô faz é diferente do outro.