Autoridades estão mais preparadas para lidar com fake news nesta eleição, afirma especialista

Ele explica como a estratégia do “follow the money” pode ajudar a combater a propagação de conteúdos falsos

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Neste ciclo eleitoral, haverá técnicas mais efetivas para combater as fake news e todo o conjunto de práticas de manipulação online por parte dos candidatos, afirmou Diogo Rais, co-fundador do Instituto Liberdade Digital e especialista em direito eleitoral e digital, em live realizada ontem (12) pelo Valor Econômico.

O especialista afirmou que novas regras das plataformas digitais, a partir de debate conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram um avanço. O TSE firmou uma parceria com as principais redes sociais para combater a propagação de conteúdos falsos, as companhias se comprometeram com o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento de páginas e perfis com comportamentos inautênticos e coordenados.

A parceria envolve o WhatsApp, Twitter, Facebook, Instagram, Google e TikTok. Entre algumas medidas eficazes, Rais citou o fato do WhatsApp ter restringido o compartilhamento de mensagens e do Facebook ter modificado algorítimos, deixando claro ao usuário quais conteúdos são anúncios eleitorais pagos.

Na live, o especialista comentou ainda sobre o Projeto de Lei 2630/20, que cria medidas de combate à disseminação de conteúdo falso nas redes sociais e nos serviços de mensagens privadas, aprovado no Senado e que agora tramita na Câmara. Para ele, a proposta de rastrear os destinatários é um equívoco, já que a identificação do autor do conteúdo não é efetiva, além de significar usurpação de direitos individuais.

Rais explicou que o rastreamento pode ser violar a privacidade. Segundo ele, na internet, o conteúdo se propaga em formato de redes, e não em formato de pirâmide. E, que não necessariamente você encontra a fonte distribuidora do conteúdo falso nas redes. Desta forma, ele acredita que o plano avançou, mas ainda tem problemas.

O especialista defende que tentar derrotar o financiamento da estrutura de fake news é a forma mais eficaz de investigar os autores, como a estratégia do “follow the money”, ou “siga o dinheiro”, em português. A técnica sugere que, num esquema de corrupção, o dinheiro deixa rastros que muitas vezes levam até os altos escalões do poder. Segundo ele, dinheiro é o sangue que corre nas veias em qualquer organização criminosa.