Banco do Brasil cogita destinar aporte às usinas elétricas

Em 15 anos, pode ser economizado R$ 277 milhões em despesas com gastos de energia elétrica

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A nova aposta do Banco do Brasil gira em torno de contratações de usinas elétricas. A proposta ainda está apenas na categoria de estudos, mas com grandes chances de vingar. Vigorando, contratarão as usinas elétricas os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Além dos citados, as agências do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Espírito Santo também entram para a lista de geração solar.

Para que o projeto chegue à sua fase prática, devem ser consideradas algumas regras para a geração distribuída, modalidade que permite ao consumidor gerar sua própria energia, localmente ou de forma remota. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já discute o aperfeiçoamento das regras já existentes.

Cobrança da tarifa sendo estudada

O consumidor de energia elétrica é assegurado pelo uso do sistema de distribuição (Tusd), portanto, não recolhe essa tarifa, mas a mudança desse cenário pode acontecer brevemente já que as distribuidoras defendem a cobrança da tarifa para não impor maiores custos para os demais usuários.

José Ricardo Forni, diretor de suprimentos, infraestrutura e patrimônio do BB relata que, como investidores, querem o mercado estável e com custos transparentes e eficientes. Tem a predisposição para investir e estão focados em tornar a matriz mais limpa, mas a questão econômica pesa. Se a alteração regulatória for impor um custo isso vai, no mínimo, diminuir o apetite.

As propostas estudadas pelo BB não são recentes, o banco já vem estudando o plano de sustentabilidade desde 2004. No período de doze meses, as plantas juntas podem gerar 42 gigawatts-hora (GWh) de energia. Em um curto prazo de 15 anos, com esse projeto valendo, pode ser economizado R$ 277 milhões em despesas com gastos de energia elétrica.

Segundo Nélio Pereira, diretor da FazSol, o andamento do projeto também foi afetado nos últimos meses pela pandemia, pois diversas fornecedoras dedicaram esforços para a fabricação de equipamentos hospitalares. Estão voltando a uma situação de normalidade, mas os fornecedores estão pedindo sempre prazos maiores agora nas negociações e isso tem um impacto na engenharia dos projetos.

Usinas contratadas pelo Banco do Brasil

A usina de Porteirinha, em MG, foi a primeira contratada pelo BB e entregue pela EDP, sua capacidade instalada é de 5 megawatt (MW), por meio dela, até 100 agências podem receber atendimento. Logo em seguida, o BB contratou a usina de São Domingos do Araguaia, no Pará. A segunda usina tem previsão de inauguração no dia 15 de outubro. Sua capacidade é de 1 MW, 35 agências passarão a fornecer a energia renovável.

O previsto a ser economizado deve chegar a R$ 17 milhões em 15 anos, o que representa redução de 45% a conta de energia das unidades. O criador do projeto, o consórcio Espaço Y, FazSol e Shizen, irá receber R$ 16,7 milhões ao longo do contrato de operação.

Para Forni, o perfil da rede de agências está mudando, o tamanho das unidades está sendo reduzido, mas elas não vão desaparecer. O consumo de energia de longo prazo vem sido olhado dessa maneira ao longo desse prazo, sob essa perspectiva. A contratação foi fechada ao longo desse tempo, mas o investimento é feito pela empresa que constrói a usina. É um ganha-ganha, mas o projeto tem que ser de longo prazo para ser viável.