Revolução do open banking ameaça o jeito tradicional de lidar com o dinheiro

Tecnologia financeira cresce, e o Reino Unido lidera a revolução

A tecnologia mudou as relações entre bancos e correntistas. Com a tecnologia digital, gerentes deram lugar a aplicativos de celular e bancos mundo afora lançaram-se a uma nova realidade. O open banking fez surgir novos parceiros, serviços e produtos, com redução de custos e aumento da rapidez em transações financeiras. 

Nessa mudança, o Reino Unido está na frente. Segundo Amit Mallick, diretor global da consultora Accenture para open banking, em entrevista ao Época Negócios, o país acelerou os prazos da implementação de seu open banking, que havia começado na mesma época que o resto da Europa. Hoje o Reino Unido está uns 18 meses à frente dos outros países desenvolvidos.

A cofundadora da comunidade Open Banking Excellence, Helen Child, afirmou que tem sido uma revolução silenciosa, visto que foi tudo de forma gradual. Após uma decepção com o ritmo de adoção no país – que vinha desde 2018 -, o principal marco veio em janeiro de 2020, quando chegou a 1 milhão o número de pessoas que solicitaram que seu banco compartilhasse seus dados financeiros com outros instituição. 

Obie

Segundo o Época Negócios, em 2016, a CMA – Autoridade de Competição e Mercados, um órgão do governo – criou uma empresa chamada Obie, apenas para a implementação e o gerenciamento do open banking britânico. A empresa é financiada pelos nove principais bancos do Reino Unido, lista que inclui nomes famosos como Barclays, HSBC, NatWest e Santander. 

A Obie desenha as especificações para a principal peça no funcionamento do sistema: as APIs, ou Interfaces de Programação de Aplicativos. As APIs são fundamentais para que dados de um banco possam ser acessados por terceiros e elas precisam respeitar as especificações definidas pela Obie. 

A entidade também estabelece diretrizes a serem seguidas no sistema, inclusive na área de segurança, oferecendo apoio técnico e gerencial para sua adoção. 

Caso os padrões estabelecidos não sejam respeitos, a FCA (Autoridade de Conduta Financeiro) pode intervir e multar a instituição. 

De acordo com Michael Bridgman, gerente de produtos da empresa de pagamentos digitais GoCardless, em entrevista ao Época, a regulação britânica serviu como um catalisador para o sistema. Em um processo liderado pelo mercado, pode levar mais tempo para desenvolver a tecnologia e depois, padronizá-la. Onde há muitos participantes, e o ecossistema é tão grande, a padronização é essencial. 

Duas áreas de atuação

Segundo reportagem do Época Negócios, “o open banking possui duas principais áreas de atuação: informações de contas, que envolve o compartilhamento de dados bancários, e iniciação de pagamentos, que se refere ao uso do sistema para pagar por produtos ou serviços”.

A primeira parte avançou rapidamente no Reino Unidos, mas os pagamentos ainda engatinham. 

Conveniência e segurança 

O open banking faz mágicas financeiras e tira da cartola serviços melhores ou inéditos, que levam a uma redução de custos e economia de tempo. No entanto, algo essencial é a segurança. 

De acordo com reportagem do Época Negócios, o consentimento precisa vir do cliente do banco, de forma explícita e para cada caso envolvendo quaisquer terceiros. Segundo as regras britânicas, depois de concedida, essa autorização também precisa ser renovada a cada 90 dias. É preciso ainda assegurar que todos os envolvidos sejam confiáveis. 

Crescimento do Open Banking 

Tudo indica que o processo de crescimento do Open Banking é sem volta. Mesmo com a Covid-19, as transações de open banking continuaram em alta, e os profissionais do mercado acreditam que os efeitos da pandemia devem acelerar sua popularização.