Rombo de R$ 81 bilhões nas contas públicas preocupa o mercado

O BC registrou o pior resultado para o mês

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Na segunda-feira (31), o Banco do Brasil divulgou o balanço de mês de julho, apontando um déficit primário de R$ 81,071 bilhões, valor esse que se refere às contas do setor público consolidado, onde estão inclusos o governo federal, os estados, municípios e empresas estatais.

O prejuízo acontece a partir do momento em que os gastos ultrapassam as receitas e contribuições do governo. Vale lembrar que gastos com o pagamento dos juros da dívida pública não estão inclusas neste valor. Desde 2019, o BC registrou o pior resultado para o mês. A série passou a valer em dezembro de 2021. Já em 2019, o déficit fiscal contabilizou o valor de R$ 2,763 bilhões.

Gastos usados em prol de combater a pandemia

O motivo principal do rombo se dá aos gastos usados em decorrência da pandemia, mais especificamente ao seu combate. Com a crise batendo à porta, os impostos tiveram de ser adiados e, consequentemente, resultou no enfraquecimento da atividade econômica.

De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, os estados registraram um superávit primário (receitas maiores do que despesas, sem contar juros da dívida) de R$ 18,5 bilhões nos sete primeiros meses deste ano por conta do auxílio emergencial da União.

Ele também explicou que os estados tiveram diminuição de arrecadação, nas transferências pela União (Fundo de Participação) e aumentou nas despesas. Nesse caso, peça importante para explicar esse superávit são os resultados dos auxílios previstos em função da crise. Apenas em julho, essa transferência atingiu R$ 18,3 bilhões.

Gastos superaram a meta de déficit para o ano

Integra a lista de piores resultados do ano, com déficit primário de R$ 483,773 bilhões as contas do setor público. Resultado que foi obtido apenas nos sete primeiros meses de 2020. O valor superou o que era esperado de déficit para esse ano, a meta era de R$ 118,9 bilhões.

Diante da crise financeira enfrentada pelo país e a necessidade de usar verba neste período, a meta foi deixada de lado após decretado calamidade pública, proposto pelo Congresso Nacional.

Aumento do PIB

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB), chegou a 0,85%, ou seja, as contas do setor público tiveram déficit primário de R$ 61, 87 bilhões. Julho registrou um aumento de 86,5% do PIB ante o ano passado, o que representa 6,21 trilhões. Em dezembro de 2019, o PIB registrava dívida em 75,8%, avançando para 6,15 trilhões, batendo novo recorde, de acordo com dados do Banco Central.

Segundo estimou a Secretaria do Tesouro Nacional, no mês de julho, a dívida bruta do Brasil pode fechar este ano em quase 100% do PIB, isso por conta dos gastos para combater a pandemia do novo coronavírus e pelo tombo esperado na economia.