Empresas citam vantagens do recrutamento online pós-pandemia

A fundadora da startup Taqe diz que assim dá para perceber características e pontos de atenção das pessoas ao longo da conversa.

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Segundo apurou o Valor, algumas empresas que precisaram se adaptar ao novo normal, período que exige modificações no mercado de trabalho e contato direto com processos tecnológicos, foi além de apontar apenas o lado ruim, mas começaram a notar bastantes pontos positivos quanto à contratação de novos funcionários, que, atualmente, passam por entrevistas e dinâmicas online, já que devido a pandemia causada pelo coronavírus o contato social tende a ser um tanto quanto preocupante.

Redução do fechamento de contratações

A startup de recrutamento online Jobecam com 104 clientes, revelou que 70% das empresas levavam em média 30 dias para fechar uma posição, agora, com o processo sendo remoto, o prazo foi reduzido entre 7 a 14 dias, ponto que é visto como positivo se considerado que o tempo poupado gera mais rapidez para as empresas e os selecionados. A fundadora e CEO da startup, Cammila Yochabell diz que no início, houve mais resistência. Agora as empresas já estão mais acostumadas.

Quem também defende o novo método de seleção de funcionários remotamente é Mariana Dias, CEO e confundadora da Gupy, sistema de recrutamento e seleção com uso de inteligência artificial (IA), Mariana diz conseguir analisar mais de 1 milhão de pessoas em menos de 1 segundo, observando 200 características para filtrar os melhores candidatos a cada vaga. Em duas semanas, um cliente do setor de supermercados, por exemplo, contratou mais de 5 mil funcionários.

Saindo do”padrão”

De acordo com a fundadora da startup Taqe, eles estão fazendo dinâmicas de grupo com 20 candidatos para as empresas, e conseguindo que as pessoas se exponham e contem histórias. Antes, os candidatos se preparavam para um entrevista presencial dentro de um “padrão”, inclusive de vestimenta. Dá para perceber características e pontos de atenção das pessoas ao longo da conversa.

Um gigante dentro do mercado, o Banco Santander Brasil também teve de se moldar àquilo que pede o momento. Os processos seletivos passaram a ser modificados junto às plataformas digitais que os conduzem. A head de recrutamento do Santander, Marcele Correia diz que hoje estão conduzindo todos os processos de maneira de virtual, com entrevistas, ‘assessment’, desde o início até o fechamento da contratação.

Engajamento da companhia

Para que os planos saiam bem, não basta apenas que a empresa se adapte aos novos processos e métodos tecnológicos de contratação, um importante aliado é o grupo de funcionários. Para que tudo saia dentro do acordado, com positivos resultados, é preciso empenho e engajamento da companhia, Carolina explica que há casos de profissionais que, no escritório, eram ótimos em marketing pessoal e, de repente, ficaram “apagados” no trabalho remoto.

Para ela, transformação só está começando e a tendência é de que seja construída uma cultura digital nas empresas, o que exigirá (e já está exigindo) profunda adaptação por parte do RH e dos empregados.

Essas mudanças estão sendo constatadas e experimentadas em diversos locais, Miriam Branco, diretora-executiva de RH do Hospital Israelita Albert Einstein, com 15 mil funcionários, adaptou a contratação de jovens aprendizes para o modelo virtual.

Miriam ressalta que antes a instituição levava, no minimo, 21 dias para fechar a contratação, agora tudo acontece de forma bem mais agilizada, além da redução de tempo, outros ganhos foram a qualidade e a experiência dos candidatos, com o uso de ferramentas digitais e games no processo seletivo. Quando é pedido para gravar vídeo com uma apresentação, fica mais fácil de passá-lo para os gestores das áreas.