Crise econômica ressignificou o papel de concessão dos bancos privados

Pelo menos R$ 238,1 bilhões foram concedidos pelos bancos privados durante a pandemia

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O impacto econômico durante a pandemia levou ao resultado de que bancos privados emprestam mais dinheiro que instituições públicas. Enquanto bancos estatais registram R$ 331,1 bilhões, os bancos privados protagonizaram com R$ 573,5 bilhões em dinheiro novo, renovações e rolagens de contratos, segundo mostraram os dados do Banco Central (BC) entre o período de 16 de março a 31 de julho. São listados como maiores contribuintes o Itaú Unibanco, Bradesco, Santader e BTG Pactual.

A intenção é descarregar o peso atribuído ao Estado no crédito e implantar maior chance de contribuição e revisão de risco dos bancos estatais, decisão tomada logo após a implantação do governo Bolsonaro. O valor de concessão dobrou com aos bancos estatais assumindo o protagonismo, consequentemente elevando a cinco vezes o volume antes liberado pelos bancos privados, que atingiram o total de R$ 238,81 bilhões.

Busca por liquidez

Em busca de liquidez, empresas encontraram nos bancos recursos que pudessem assegurar o tempo de vida durante a pandemia, já que capitais financeiros fecharam. Em recorrência da pandemia, o Banco do Brasil, que atuava antes da pandemia no direcionamento ao mercado de capitais, recorreu ao crédito para prestar suporte às empresas.

Foi disponibilizado pelo banco que é mais parecido com os privados, o valor de R$ 171 bilhões na crise, R$ 100 bilhões destes em dinheiro novo para clientes de todos os portes e para prorrogações foram R$ 71 bilhões.

O BNDES atuou apenas como facilitador de operações para empresas menores, as condições de crise não permitiram permanecer do lugar de origem, que prestava maiores ajudas. O segundo semestre apresentou concessão de R$ 17, 159 bilhões.

Evitando maiores transtornos futuros

Ainda que em crise, os bancos públicos continuaram a subir por alguns outro fatores que ultrapassam sua mudança de perfil, tais como, medidas de liquidez tomadas pelo BC; as linhas com funding do Tesouro Nacional, pensadas para reduzir o risco de crédito; e a percepção das instituições de que, se não agisse, haveria maiores perdas.

Segundo o presidente do banco Itaú, Candido Bracher, tão logo eclodiu a crise provocada pelo coronavírus, ficou claro para todos que o Itaú Unibanco deveria atuar para ser parte da solução do problema. Chegando a liquidez de R$ 56,2 bilhões, o Bradesco concedeu R$ 68 bilhões em contrato. Em nota, afirmaram que o banco vem respondendo ao estímulo monetário e às medidas adotadas pelo BC para aumentar a liquidez, sendo proativo na oferta de soluções de crédito.