Período de pandemia ampliou a modalidade de contratos intermitentes

O primeiro semestre do ano teve 20,5 mil vagas criadas

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O período de pandemia rendeu ao Brasil a criação de 20,5 mil novos postos de trabalho por período. Diante da crise enfrentada pelo país, 1,5 milhão de empregos com carteira assinada deixaram de existir um em período de tempo mínimo. O que conseguiu movimentar a economia brasileira e não deixar com que as empresas parassem foram os chamamos contratos intermitentes.

Diversos fatores contribuíram para a “invasão” destes contratos, com a pandemia causada pelo novo coronavírus, empresas tiveram de manter alguns de seus funcionários classificados como grupo de risco afastados de suas funções, gerando, consequentemente, novas contratações buscando preencher as vagas ociosas para não ter maior prejuízo financeiro.

Funções com maior número de contratos intermitentes

O primeiro semestre registrou maiores contratações intermitentes para as vagas de repositor de mercadorias, faxineiro, orientador educacional, servente de obras, armazenista, embalador a mão e alimentador de linha de produção, informações essas obtidas pelos Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Durante o período de contratações, o mês de abril registrou queda, o saldo negativo resultou em 2,9 mil vagas perdidas. Logo em seguida, o país teve um novo número de desempregados, 918,3 mil vagas deixaram de existir.

Maio também registrou o fechamento de 350,3 mil postos, mas em contrapartida, 2,2 mil novas vagas de intermitentes foram criadas. Mesmo com as vagas criadas em maio, junho já revelou novo declínio, o saldo negativo do Caged foi de 11 mil e o trabalho intermitente ganhou 5,2 mil contratos, ocupando, mais uma vez, uma zona pré-crise.

O mercado de trabalho passou a identificar processos distintos relacionados ao trabalho formal e os contratos intermitentes. O resultado desta análsie se baseia na resposta imediata buscada pelas empresas, resposta em resultados, além de flexibilidade e menor custo.

Trabalho intermitente resulta em maior relaxamento das pressões

O pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV/Ibre, Daniel Duque, relatou que esse tipo de processo favorece uma fator mais estrutural, ligado à adaptação dos meios jurídico e político à reforma trabalhista. Para ele, há um relaxamento das pressões contra esse tipo de trabalho.

Segundo Maria Andreia Parente Lameiras, pesquisadora do Instituto de pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), o aumento gradual das contratações de intermitentes, principalmente durante a pandemia, está muito ligado a maior demanda existente em setores de serviços essenciais. Nesses contratos, o custo de demissão é mais baixo do que os ‘full-time’.

Fatores que ampliaram essa modalidade de contratação

O aumento das contratações de intermitentes aconteceu porque as empresas necessitavam de uma força de trabalho por um período certo. Com a pandemia e as incertezas com relação à economia, haverá uma reconfiguração de muitas atividades, o que pode ampliar mais a contratação de intermitentes no decorrer do ano, avalia Clemente Ganz, ex diretor técnico do Dieese.

De acordo com o Ministério da Economia, 44.097 admissões foram registradas entre os meses de março e junho deste ano, enquanto 33.781 desligamentos foram realizados na modalidade intermitente. Já o ano passado registrou, no mesmo período, 50.165 contratações e 20.057 demissões.

Para o Ministério, o trabalhador intermitente pode manter seu vínculo ativo mesmo não exercendo atividade remunerada no mês, tendo seus direitos garantidos. Espera-se que, com a retomada da atividade econômica, as contratações voltem a crescer, inclusive na modalidade intermitente.