Adobe lançará sistema para identificar fotos falsas

Recurso estará disponível em uma versão de testes do software

Foto: Reprodução

O Photoshop, líder no mercado de softwares de edição de imagens, vai ganhar um sistema para identificar fotos falsas. O objetivo da Adobe é aproveitar as ferramentas de edição de imagens para ajudar a verificar a autenticidade das fotos, para que assim ajude jornalistas e usuários de mídias sociais a combater a manipulação de arquivos que propagam a desinformação.

Em um documento lançado na semana passada, a Adobe estabelece um padrão aberto para o tagueamento de fotos e vídeos. A intenção é utilizar criptografia para que esses metadados estejam ligados de maneira segura a informações como local, data e hora, fotógrafo e editor. A tecnologia deve permitir inserir novos registros, os vinculando às tags antigas.

A ação é parte da Iniciativa de Autenticação de Conteúdo da Adobe (CAI). Andy Parsons, líder do projeto, afirma que o novo padrão deverá revolucionar o fotojornalismo. Ele explica que a empresa imagina um futuro no qual algo que chegue às redações sem os dados CAI anexados será tratado com ceticismo extra, de modo que ninguém terá confiança nessa mídia.

Até o final deste ano, a Adobe pretende introduzir as ferramentas de marcação CAI a uma versão prévia do Photoshop, para que, ao passo que as imagens sejam abertas, processadas e salvas por meio do aplicativo, um registro de quem manipulou ou mudou a foto pode ser continuamente documentado em um registro embutido na própria imagem.

Para que o CAI tenha sua finalidade alcançada, será preciso que diversas áreas da indústria adotem o padrão de forma ampla, o que inclui fabricantes de dispositivos fotográficos, desenvolvedores de softwares de edição e até mesmo redes sociais e veículos de mídia, que poderão introduzir algoritmos para detectar de modo automático se aquela suposta foto de um recente protesto foi registrada a anos atrás.

A Adobe já vinha pensando em como evitar que o Photoshop dissemine desinformação. Em 2019, a empresa trabalhou com pesquisadores da UC Berkeley para treinar um algoritmo alimentado por aprendizado de máquina para detectar imagens feitas com o recurso Face Away Liquify do software, uma ferramenta que você pode usar para alterar e exagerar as características faciais de uma pessoa.

A diferença é que os editores poderiam usar o sistema de tags da empresa para detectar uma variedade de imagens falsas, não apenas as criadas usando uma ferramenta. Para que a iniciativa prospere é fundamental que o Creative Cloud promova com consistência a tecnologia. E, que empresas como o Facebook, Instagram, Twitter e Google abracem isso.