Pesquisa aponta que 71% dos trabalhadores tem medo de perder o emprego

A CNI entrevistou mais de dois mil brasileiros para entender como a Covid-19 tem sido vista pela população

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Uma pesquisa de opinião realizada para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 71% dos trabalhadores formais e informais têm medo de perder o emprego e continuam consumindo menos. A CNI entrevistou mais de dois mil brasileiros para entender como a Covid-19 tem sido vista pela população.

O levantamento apurou que seis em cada dez brasileiros acreditam que a recuperação econômica ainda não começou e que essa retomada deve acontecer de forma gradual. Em nota, a CNI informou que o nível reduzido de consumo tende a ser mantido mesmo após o fim do isolamento social.

Marcelo Azevedo, gerente de análise macroeconômica da CNI, afirmou que a preocupação com a pandemia em si até reduziram um pouco entre maio e julho, mas a preocupação com os seus efeitos continua presente. A pesquisa constatou que 66% acreditam que a pandemia terá grandes efeitos sobre a economia.

Além disso, 31% afirmaram que perderam parte ou a renda integral antes da Covid-19. Desta forma, a maioria pretende permanecer com o atual patamar de consumo entre 15 tipos de produtos industrializados, como roupas, bebidas alcoólicas, produtos de higiene pessoal, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Ainda segundo a nota, os itens que mais devem ter crescimento de consumo na pós-pandemia são as roupas. Ainda assim, somente 21% das pessoas ouvidas declararam que querem ampliar o consumo desses produtos. Azevedo destaca que há uma incerteza sobre a renda, e as decisões acabam sendo afetadas em razão disso.

Um terço dos entrevistados está recebendo auxílio emergencial. Destes, 57% fizeram compras e 35% pagaram dívidas. Quanto o medo de ser infectado pelo novo coronavírus, o estudo constatou que 47% dos entrevistados ainda tem essa preocupação — seis pontos percentuais a menos do que em maio.

O executivo concluiu que os novos hábitos tendem a ser duradouros. Então, setores que registraram alta na pandemia, como os de produtos de limpeza, alimentos para consumo domiciliar e farmoquímicos, devem permanecer com uma situação mais positiva. Já os demais podem ficar com a demanda reduzida por mais um tempo.