A questão da renda fixa no mercado de capitais

Renda fixa perde recursos, o que pode criar desafios a estabilidade financeira

Os juros básicos da economia foram de 14% em outubro de 2016 para 2,25% anuais agora. Segundo o Valor Econômico, essa queda já está causando uma grande movimentação no sistema financeiro, “com resgates de recursos de fundos de renda fixa, ampliação das captações líquidas na caderneta de poupança e saída de investimentos para o exterior”.

O Banco Central está monitorando essa movimentação nas carteiras dos investidores, que pode ter efeitos negativos na estabilidade financeira, representando um limite para quedas maiores da taxa Selic. 

O diretor de política econômica do BC, Fabio Kanczuk, afirmou não haver um desequilíbrio preocupante até o momento, mas alertou que a migração de recursos de fundos de renda fixa para a caderneta pode ser um fator que vai causar desafios a estabilidade financeira. 

Segundo o Valor, “os fundos de renda fixa registraram resgate líquido de R$ 95 bilhões no primeiro semestre, ou 1,72% do seu patrimônio”. Ainda de acordo com reportagem do jornal, a queda de juros tornou esse tipo de investimento menos atraente; investidores mudaram para ativos de maior risco, buscando maiores retornos. Ao mesmo tempo, os depósitos em caderneta superaram os saques em R$ 84,4 bilhões no primeiro semestre. 

Esse aumento de captação na caderneta de poupança surgiu na contramão do esperado, pois a expectativa era de uma fuga de recursos. O ex-diretor do BC e economista-chefe do UBS Brasil, Tony Volpon afirmou que uma questão é que vai haver um enorme aumento do endividamento público e os juros pagos são muito baixos.

O fluxo de investimento dentro e fora do país também tem sido afetado pela queda dos juros. Segundo o Valor, “os investimentos em carteira feitos por brasileiros no exterior somaram US$ 4,07 bilhões de janeiro a maio, enquanto que os estrangeiros retiraram do Brasil US$ 31,448 bilhões em investimentos em carteira”.