Cenário musical sofrerá transformação após pandemia

Após lives realizadas durante a pandemia, mesmo com shows normais, haverá mistura de plataformas

O cenário musical passará por transformações após a pandemia (foto: reprodução)

Por conta da pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, diversos segmentos terão de se adaptar, a um novo modelo, com as plataformas digitais e serviços de streaming, o público tem se show particular e se sente protegido em meio a pandemia. Mesmo o mundo voltando à “normalidade” com um tempo, muita gente vai continuar se sentindo inseguro.

A respeito da segurança e do receio de se juntar à multidão, o coordenador do curso de jornalismo e professor da especialização em Influência Digital: Conteúdo e Estratégia da PUC-RS , Fábian Chelkanoff Thier relatou que tinha ingressos para dois shows em setembro e, independente dos shows acontecerem, ele não vai.

Thier ousa dizer que mesmo que os shows presenciais retornem com o tempo, haverá, da mesma forma, uma mistura de plataformas. As transmissões online devem “invadir” o show presencial. Ricardo Barbarena, diretor do Instituto de Cultura da PUC-RS, e do rapper Rashid, concorda como a pandemia pode mudar a cara da música.

Para Rashid, de 2019 para cá, parecia que os álbum estavam voltando, esse valor do álbum mesmo.Para músico, sempre foi importante, se sabe que é super apegado com o disco e com a ideia que liga aquele trabalho. Mas, nos últimos três meses ou quatro anos, os singles tinham assumido.

Projeto “Tão real”

Diante das mudanças no cenário da música, as nuances de plataformas passam a ganhar maior força a partir de trabalhos desenvolvidos de acordo com cada etapa do músico. Rashid, por exemplo, explorou o universo de documentários , podcast e conteúdo para as redes sociais entre 2019 e 2020, o projeto “Tão Real”. O músico explica que precisam pensar em cada plataforma e como ela se comunica com um jeito diferente com o público. Pensamos em como cobrir tudo isso com conteúdos que caminhassem na mesma direção.

Os entrevistados refletem sobre o novo cenário e concordam que, se por um lado tem muita gente com uma carência enorme de ver um espetáculo ao vivo, tem esse outro lado de que, até passar esse momento mais traumático, a partilha do convívio é muito dolorosa. Você vê alguém próxim e tem certo desconforto.

Com a necessidade de levar música para o público remotamente, diversos artistas começaram a transformar esse mundo. A novidade passa a fazer parte dos shows, não apenas online mas em shows lotados.

Músicos que geram conteúdos

Rashid ressalta que não acha que todo mundo é obrigado a ter um tino empreendedor ou youtuber, mas os tempos modernos estão de fato obrigando a ser geradores de conteúdo. Tem artista que já é um fenômeno e não precisa se desdobrar assim, mas não é esse o caso do músico. Ele não sabe dizer se isso é bom ou ruim, mas não é mais dado o direito ao artista de continuar fazendo apenas arte.

Um leque de oportunidades se abrem, como explica Thier, para ele, aqueles artistas que forem orientados e soubessem fazer conteúdo multiplataforma que vão ganhar mais. Ele considera achismo, que eles vão precisar tomar um cuidado ainda maior com suas ações. Com o público mais próximo e com mais relevância na internet, você perde milhares de seguidores muito rápido, e isso vai ser um baque maior.