Trabalhador menos qualificado é o mais atingido pela crise

Trabalhadores menos qualificados e jovens são os mais afetados pelo desemprego

Segundo previsão de especialistas, a crise econômica provocada pelo novo coronavírus vai afetar fortemente o mercado de trabalho. Os mais afetados serão principalmente os trabalhadores menos qualificados e os mais jovens. 

O desemprego já está aumentando, e pesquisas mostram que empresas estão congelando ou reduzindo contratações, salários e promoções e pretendendo enxugar ainda mais o quadro de funcionários. 

Segundo reportagem do G1, no mês de abril, a taxa de desemprego chegou a 12,6% e atingiu 12,8 milhões de pessoas. No trimestre terminado naquele mês, foram quase 5 milhões de postos de trabalho fechados em relação ao trimestre terminado em janeiro. Desses, 3,7 milhões foram de trabalhadores informais. 

O emprego com carteira assinada também teve uma grande queda, chegando ao menor contingente de pessoas com carteira assinada. Os números do IBGE também mostram que, entre os jovens e trabalhadores menos qualificados, o desemprego é maior. 

Em entrevista ao G1, a coordenadora de graduação em economia do Insper, Juliana Inhasz, afirmou que os efeitos para o trabalhador desempregado menos qualificado são piores porque ele terá que disputar vagas com quem têm qualificação maior. 

Segundo ela, o Brasil têm um mercado com muita gente desempregada, inclusive com mais qualificação, que se mostra disposta a trabalhar por salários menores do que ganhava quando deixou o mercado. Essas pessoas vão acabar sendo mais atrativas do que as com baixa qualificação, fazendo com que os trabalhadores de baixa renda tenham uma dificuldade maior para se recolocar.

O pesquisador da FGV, Daniel Duque, afirma que os mais atingidos durante as crises são os que têm menor qualificação, principalmente os jovens com menos experiência. Segundo ele, os trabalhadores mais qualificados tiveram uma piora menos significativa. 

Duque acredita ainda que os setores de alimentação, saúde, tecnologia e telecomunicações serão grandes contratadores. Já Juliana afirma que o setor de serviços é o mais afetado com a queda na renda.

A saída desta crise? Reinventar-se. Duque indica aos trabalhadores a busca de habilidades na área de tecnologia, que terá muita demanda nos próximos anos. Já Juliana aponta que uma alternativa aos trabalhadores de baixa renda é investir em qualificação mais simples. Ela diz que é preciso buscar um novo horizonte, se reciclar, buscar conhecimento novo dentro da mesma área e perceber o que o mercado de trabalho está procurando.