Como a pandemia acelerou a transformação digital

Claudio Tancredi, CEO da Hitachi Vantara, conta como a crise transformou os negócios

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A transformação digital foi acelerada em meio a pandemia de coronavírus pelas empresas que se desdobraram para se manter no mercado durante a crise. Pegas de surpresa, quem ainda pensava que não precisava da digitalização para se diferenciar no mercado, se viu obrigado a transformar seus negócios.

Claudio Tancredi, country manager da Hitachi Vantara no Brasil, afirmou em entrevista ao NegNews que essa mudança já era esperada, mas as circunstâncias que as empresas ficaram durante a crise ocasionou a aceleração desse processo. Para ele, as que não se adaptaram terão dificuldade de retomar no mercado.

O executivo, que trabalha com armazenamento, gerenciamento e análise de dados em nuvem — uma área crucial para a transformação digital —, explica a Hitachi Vantara não sentiu tanto impacto porque já vinha aderindo o trabalho remoto antes desse modelo se tornar o único meio de seguir com as atividades.

Tancredi acredita que o preconceito com o home office acabou, antes o que era considerado um trabalho duvidoso, hoje é observado que é um dos meios mais produtivos de trabalhar. Muitas empresas, resistentes em adotar tal processo, devem permanecer com o trabalho a distância mesmo quando a rotina voltar ao normal.

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Cushman & Wakefield, especializada em serviços imobiliários comerciais, quase 74% das companhias do setor pretendem manter com o trabalho remoto após a crise. A organização entrevistou 122 executivos de multinacionais que atuam no Brasil.

Já uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que 30% das empresas brasileiras devem continuar encaixando o home office em suas jornadas de trabalho como prioridade. O Bradesco anunciou que entre 30% e 40% dos funcionários das áreas administrativas permanecerão em casa, enquanto o Banco do Brasil pretende manter cerca de 10 mil.

Na corrida para se manter no mercado, o e-commerce explodiu no Brasil e no mundo durante o período de isolamento social. Tancredi afirma que o comportamento do consumidor também mudou e é provável que não volte ao mesmo patamar de fevereiro. Na “nova economia”, o comércio eletrônico estará a alguns passos na frente.

Conforme levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) entre 23 de março e 31 de maio, o país abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o início da quarentena, somando cerca de 107 mil novos negócios.  Segundo a instituição, antes do período de isolamento, a média de abertura era de apenas 10 mil por mês.