Setor de saneamento básico atrai investidores após privatização

Integram a lista de investidores as empresas BRK Ambiental, Aegea, Águas do Brasil, GS Inima e Iguá Saneamento

Investidores pretendem entrar como sócios na privatização de água e esgoto (foto: reprodução)

Após aprovada, a privatização de saneamento básico já atrai olhares de diversas empresas privadas que vão ter oportunidade de participar deste marco.

Com este avanço, o setor conseguirá quadruplicar o volume anual de investimento, a barganha gira em torno dos R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões que estão previstos para cumprir a meta de universalização de água e esgoto tratados no país até 2033.

Grupo privado de cinco investidores

Com o marco, o número de empresas que pretendem integrar a lista de investidores é extensa, nomes como BRK Ambiental, Aegea, Águas do Brasil, GS Inima e Iguá Saneamento.

O grupo de investidores privados já são participantes ativos dentro do segmento. Gustavo Guimarães, presidente da Iguá Saneamento relata que o marco certamente gera mais conforto para investidores.

A presidente do conselho consultivo do Goldman Sachs, Maria Silvia Bastos, informa que há uma movimentação grande dos investidores que já estão no mercado brasileiro, seja de operadores ou fundos de investimento, que veem um setor com potencial de rentabilidade, mas que tinha regras pobres e com pouca segurança.

‘Capex’

Já o chefe de financiamento de projetos do Itaú BBA, Marcelo Girao reforça que não vai chover investimentos do dia para a noite porque faltam outras etapas depois do marco, mas sem ele não seria possível avançar. É um “capex” tão grande que vai ter de buscar todos os bolsos disponíveis para colocar esses projetos de pé.

A privatização não atraiu somente as empresas citadas acima, mas chama atenção, também, de companhais que integram concessões de infraestrutura, exemplo do Grupo CCR, atuante em rodovias e aeroportos, das empresas de energia Equatorial e Energisa, além do grupo Votorantim. Um grande grupo sabe que não se entra no mercado da noite para o dia. Os interessados já estão sondando o setor há tempos, segundo relata o presidente da BF Capital, Renato Sucupira.

Conglomerados que já financiam o setor

Além das empresas que se interessam em fazer parte do grupo de investidores, já existem conglomerados que cooperam com o setor, entre elas, Cingapura GIC, as canadenses Brookfield e AIMCo e a gestora brasileira IG4. A Pátria, Blackstone e GP também mostram interesse no setor. Radamés Casseb, presidente da Aegea ressalta o desafio que se impõe é enorme, não é para cinco, dez empresas. Em cinco anos será uma míriade de novos operadores atuando no Brasil.

Para o presidente do conselho de administração da Águas do Brasil, Carlos Henrique Lima, quem vem de fora, em geral, quer buscar uma parceria com alguma empresa nacional, já com experiência. A expectativa é que haja venda de fatias de companhias e consórcios. Até o fim de março de 2022 as companhias ou não de fazer os investimentos necessários e hoje pouquíssimo conseguem. Isso vai abrir um mar de oportunidades, segundo explica o presidente da IG4 e do conselho de administração, Paulo Mattos.

Os investidores avaliam pontos cruciais a partir da privatização, Maria Silvia, do Goldman Sachs diz que não há regras definidas para indenizar um investidor privado no caso de uma nova administração pública cancelar um contrato estabelecido anteriormente. Além disso, tem a questão da titularidade, que é o pecado original do setor.