Empresas retiram anúncios online para forçar o combate ao discurso de ódio

Medida é uma forma de protesto contra falta de ação das redes sociais em lidar com discursos de ódio

Motivadas pelos protestos antirracistas e pelas eleições deste ano nos EUA, grandes multinacionais decidiram tirar seus anúncios de redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram, Youtube e Snapchat. A decisão já chegou em território brasileiro; desde ontem, a Coca-Cola do Brasil passou a adotar a restrição definida pela companhia a nível global.

O movimento foi iniciado pela Unilever, na sexta-feira passada (26) e teve a adesão de nomes como Coca-Cola, PepsiCo, Starbucks, Diageo, Levi Strauss e Verizon

Até domingo, mais de 160 empresas já haviam suspendido seus anúncios das plataformas em resposta à falta de compromisso das redes sociais com o controle da disseminação de discursos de ódios, de racismo e de fake news

Na sexta-feira, o CEO global da Coca-Cola, James Quincey, cobrou mais responsabilidade e transparência nas redes sociais e suspendeu toda a publicidade paga em todas as mídias sociais globalmente por pelo menos 30 dias – período que será usado para reavaliar as campanhas de marketing da empresa. 

O boicote às redes sociais jogou para baixo as ações de empresas como Facebook e Twitter na bolsa de valores. As ações do Facebook, por exemplo, caíram mais de 8% só na sexta-feira. Segundo reportagem do Valor, no entanto, o valor de mercado ainda continua resistente e deu um salto de US$ 534,7 bilhões em junho de 2019 para US$ 615,6 bilhões na sexta-feira. 

O protesto das empresas revelou ainda uma preocupação com o papel das plataformas nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. O diretor executivo de mídia global da Unilever, Luis Di Como, afirmou que, com base na polarização atual e nas eleições americanas próximas, é preciso haver muito mais fiscalização na área do discurso de ódio. Segundo ele, continuar anunciando nessas plataformas no momento não agregaria valor às pessoas e à sociedade. 

A resposta de Zuckerberg  

Apesar de outras redes sociais terem sido citadas, o principal alvo dos protestos é o Facebook. A companhia tem sido criticada em relação ao tratamento dado a notícias falsas publicadas pelo presidente Donald Trump. 

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, chegou a dizer que não queria que a companhia decidisse o que é verdade ou não. Depois dos boicotes, contudo, Zuckerberg reagiu: afirmou que para se preparar para as eleições deste ano, já baniu 250 organizações supremacistas brancas do Facebook e Instagram. Também irá rotular mensagens de políticos e se alguma postagem incitar ódio ou impedir as pessoas de votarem, ela será apagada.