‘Efeito Amazon’ valoriza empresas na pandemia

Fatores como digitalização e alta no dólar foram prontos cruciais para o 'efeito Amazon'

Influência da gigante do e-commerce: a vitória do gerenciamento digital e da logística fina.

A economia mundial despencou com a chegada da pandemia de Covid-19, mas mesmo estando num cenário duvidoso, o mercado teve empresas que dispararam seu lucro.

Essa alta foi atribuída ao chamado “efeito Amazon“, com a empresa Amazon, que resultou na super valorização de e-commerce no mundo todo.

O cenário que não mostrava tantas expectativas, no início do ano, superou expectativas durante a pandemia. Entre os destaques estão empresas de comércio eletrônico e exportadoras. A gigante americana aparece no topo da lista de empresas referências por conta da aceleração das vendas online.

O que antes parecia improvável para consumidores mais resistentes, hoje, se tornou mais flexível, as vendas de e-commerce movimentaram balanços de empresas como Magazine Luiza com adjetivos impressionantes dos analistas.

Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, diz que o ano de 2020 tem sido marcado por dois fatores: a digitalização e a alta do dólar. Nas varejistas, o resultado da Amazon puxou as empresas listadas aqui. Para os frigoríficos, o dólar deixou o produto brasileiro mais competitivo. E alimento é item de primeira necessidade.

Entre as empresas com maiores destaques neste segmento estão as seguintes:

B2W

Sem muito alcance relacionado ao faturamento, a varejista teve prezuíjo de R$ 108 milhões no primeiro trimestre. Mesmo com esse resultado, no Ibovespa, a B2W Digital foi campeã em termos de valorização. A Amazon deu prejuízo por muito tempo, mas quando essas empresas fazem a virada, o crescimento é rápido. É uma questão de quem chega primeiro, disse a co-head de Renda Variável da casa de análises Eleven Financial, Daniela Bretthauer.

Os analistas avaliam a B2W como uma poderosa eficiente na gestão de crise, com a pandemia e diversos setores sendo drasticamente afetados, a empresa se manteve segura e agiu rápido. Vista como “digital puro sangue”, ela é dona de marcas como Americanas.com, Submarino e Shoptime.

A varejista se destacou ao oferecer aos clientes a opção de retirar mercadorias nas Lojas Americanas, sua controladora. Outra opção foi que, mesmo de casa, os clientes não perdiam tempo quanto ao atendimento, a rapidez permaneceu a mesma mesmo com o crescimento da demanda

Marcel Zambello, analista da plataforma Necton disse que a empresa se saiu bem na estratégia de clique e retire em parceria com a B2W. Aumentou a capacidade do comércio eletrônico, em uma época de alta demanda pelo serviço. A páscoa foi uma carta na manga, com a grande procura por chocolates e presentes nesses dias, a Lojas Americanas foi a empresa que mais vendeu ovos de Páscoa no Brasil, com marcas exclusivas e muita variedade, disse Bretthauer.

Os dados de prejuízos da empresa durante o isolamento social também foram significativos, com prejuízo de R$ 49,2 milhões, um total de 8% de perda considerando o mesmo período do ano passado. As lojas de shoppings tiveram redução na movimentação em 30%.

Magalu

Em 2019, a empresa obteve em uma emissão de ações o valor de R$ 4,7 bilhões. O presidente da empresa, Frederico Trajano falou sobre o balanço do primeiro trimestre e disse que ter dinheiro em caixa para aguentar por dois anos com as lojas físicas totalmente fechadas.

Mesmo com vendas online, durante as primeiras semanas do distanciamento social, as vendas cairam, com isso, a empresa investiu em estratégia para não perder dinheiro e cliente, entre essas estratégias estavam campanhas agressivas de frete gratuito, além de oferecer aos clientes a montagem de lojas em seu marketplace, espécie de shopping virtual.

A loja também foi apoiadora do movimento “Não Demita“, com essas medidas, o canal digital passou a responder por nada menos de 50% das vendas da companhia. Para Zambello, o mercado já não lê o Magazine Luiza como empresa de varejo, mas sim de tecnologia. A empresa aposta na nova economia, que traz margens menores, mas ganha em volume de vendas.

Kablin

Crescimento no comércio de eletrônico variando entre a alta no câmbio e diversidade de produtos levou a Kablin a atrair mais olhares. O analista do Itaú do BBA, Daniel Sasson diz que é uma combinação de sua exposição ao dólar e a um segmento mais resistente a turbulências no mercado doméstico. Em movimentos de volatilidade, a Klabin é vista como um investimento mais resiliente. É uma característica histórica da empresa.

Com a alta demanda de eletrônicos, as vendas da empresa cresceram bastante. A diferença foi vista com um de seus principais produtos, o papelão, pelo crescimento dos eletrônicos, o material passou a sair com mais rapidez e em um volume maior que o normal. Mesmo diante do crescimento, houve recuo em maio que, comparado ao mês de abril, a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) indicou queda de 6,69% nas vendas do produto.

Outro ponto a favor da Klabin é o amplo leque de setores que atende. Cerca de 80% dos produtos da empresa vão a indústria alimentícias, de higiene, farmacêuticas e supermercados, entre outros. O câmbio foi de R$ 4 para perto de R$ 6 nos últimos meses e agora tem oscilado em torno de R$ 5. A depreciação do câmbio faz com que os investidores procurem ações ligadas a esse cenário, diz Sasson.