Composto têxtil com prata pode evitar contágio pelo coronavírus

O composto é uma mistura de prata, poliéster e algodão

Gustavo Simões, presidente da Nanox (foto: reprodução)

O segmento de têxteis iniciou a produção de uma mistura de prata, poliéster e algodão que pode evitar o vírus. O material está sendo fabricado pela Nanox, empresa do interior de São Paulo. O composto já está sendo distribuído para duas tecelagens e já chegou ao estágio final de negociações para outros distribuidores receberem.

Capacidade de eliminar 99% do vírus em 2 minutos

O composto apresenta alta eficiência, eliminando 99% do vírus em apenas dois minutos, segundo testes realizados em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e contribuição durante o processo da Unversitat Jaume I, da Espanha, e do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), da Universidade Federal de São Carlos (UFScar).

O diretor-presidente e cofundador da Nanox, Gustavo Simões, diz que por representar somente 3% do faturamento, a indústria têxtil não era a primeira opção. Ele espera que, agora, a participação passe até 30% da receita. Começaram a desenvolver produtos para a área têxtil no ano passado, como a prata tem propriedade antiviral, resolveram testá-la em parceria com o ICB em diversos materiais, e os primeiros resultados vieram dos testes com tecidos, explicou.

Fórmula usada pela Tramontina

A Nanox foi fundada em 2004 e uma das marcas mais conhecidas de utensílios domésticos, a Tramontina, que garante a segurança de potes e tábuas de plástico fazendo uso de sua fórmula. Newton, em Massachusetts (EUA) abriga e subsidiária que usa a fórmula desenvolvida pela Nanox aumentando a proteção antimicrobiana em filmes PVC, filtros de água e revestimentos industriais.

A cadeia de investimentos e fundos conta com a Criatec 2, gerido pela Crescera Capital, antiga Bozano Investimentos, e da NT Agro, que tem como acionistas Antonio Maciel Neto, ex presidente da montadora Caoa, e Marcos Molina, fundador do frigorífico Marfrig.

Diante da pandemia e buscas por inúmeros recursos que auxiliassem no combate ao vírus, diversos clientes passaram a ter maior curiosidade depois do composto apresentar resultados positivos. Simões informa que do seu ponto de operação, não terão problemas de capacidade, a Nanox tem estrutira para atender os pedidos.

Tecelagem Delfim

Em busca de parceria, a Nanox recebeu a proposta de união da tecelagem Delfim, a fim de desenvolver um tecido com propriedades bactericidas e fungicidas. Mauro Deutsch, presidente da Delfim disse que a ideia era criar um tecido com características como ter uma boa barreira mecânica contra a Covid-19, sem prejudicar a respiração, e ser confortável no contato com a pele.

Com a parceria, foram R$ 2 milhões investidos pela Delfim, o aporte visa o desenvolvimento do tecido, com custo total de produção 15% maior que de outros fabricados pela empresa. O faturamento da Delfim pode atingir de 70% a 80% do faturamento. Para Deutsch, as coisas estão mudando muito rápido, o que torna difícil fazer previsões, mas a ideia é manter esta linha de tecido viral, porque é um novo mercado, de maneira semelhante ao que aconteceu com as roupas UV – roupa que protege contra a radiação ultravioleta.