As mulheres estão no centro da crise do desemprego

Na última quinzena de março, sete milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho

A crise econômica causada pelo novo coronavírus está provocando demissões, mas esse quadro é mais dramático para a força de trabalho feminina. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), pelo menos 7 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho na última quinzena de março – data que marca o início da quarentena. 

Esse número é dois milhões a mais que o número de homens demitidos. Segundo a pesquisa, mulheres também têm mais dificuldade de procurar uma vaga e se manter no mercado. 

De acordo com Marcos Hecksher, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é a primeira vez em três anos que a maioria das mulheres está fora da força de trabalho. 

Segundo ele, se a participação feminina ainda fosse a média dos três anos anteriores, o esperado seria haver 46 milhões de mulheres na força de trabalho e 41 milhões fora dela. A maioria das mulheres estava na força de trabalho. Agora, a maioria ficou fora.

No trimestre inteiro – janeiro, fevereiro e março -, o número de mulheres demitidas foi 25% maior que o de homens.