As soluções do comércio maranhense em meio a crises econômica e sanitária

Reabertura do comércio esbarra na falta de dinheiro dos clientes

Letícia Höfke

Afastamento dos funcionários, suspensão dos contratos de trabalho. renegociação com os fornecedores. Segundo o diretor comercial do Centro Elétrico, José Gonçalves dos Santos, essa foi a estratégia adotada pela loja para sobreviver a esse período de pandemia.

Apesar disso, desde a reabertura do comércio, as vendas ficaram além do esperado. De acordo com ele, devido ao isolamento social e a necessidade de ficar em casa, as pessoas passaram a cuidar mais de onde moram. 

“Existe um estudo que diz que, durante época de pandemia, as pessoas ficam com a demanda reduzida, mas logo que o comércio abriu e as pessoas puderam voltar a circular, elas trataram de cuidar de suas casas. Os clientes voltaram a consumir de uma forma até maior do que se estivessem consumindo normalmente. As vendas aumentaram bastante. É isso que tem acontecido no setor da construção civil”, diz José Gonçalves. 

O diretor comercial do Centro Elétrico, José Gonçalves dos Santos

Setor de construção civil é exceção

O setor de construção civil – juntamente com supermercados e farmácias – é um dos poucos que tem se dado bem na pandemia: mesmo que as lojas de rua e de shopping centers estejam abrindo, a retomada do comércio esbarra na crise econômica e na falta de renda dos clientes. Em entrevista ao site da UOL, o diretor do Conselho dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências, Eduardo Ansarah, afirmou que as pessoas estão preocupadas com as contas a pagar e só estão comprando o necessário.  

Se por um lado, o isolamento social favorece a construção civil, prejudica outros setores. Para a dona da papelaria Shopping do Papel, Marcilene Carvalho, o medo de sair de casa está prejudicando suas vendas. 

“As vendas estão ruins, porque as pessoas têm receio de sair de casa”, diz ela. “Por isso, estamos nos reinventando, aceitando pedidos pelo Whatsapp e Instagram. Além disso, fazemos entregas drive thru”.

O superintendente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estados do Maranhão (Fecomércio – MA), Max de Medeiros

Queda na intenção de consumo

O Superintendente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estados do Maranhão (Fecomércio – MA), Max de Medeiros, afirma que o  nível de intenção de consumo das famílias de São Luís apresentou um recuo de -25,3% no mês de maio em comparação ao mesmo período do ano passado. 

“Na passagem mensal de abril para maio, a queda no otimismo dos consumidores ludovicenses foi de -12,7%. Com 74,9 pontos, em uma escala que vai de 0 a 200 pontos, a intenção de consumo na capital maranhense apresentou o menor resultado da série histórica do índice que começou em janeiro 2010”, diz Max de Medeiros. 

Com restrições na renda do consumidor, o nível de famílias de São Luís que possuem algum tipo de dívida alcançou a maior marca neste mês de junho desde o ano 2011, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela (Fecomércio-MA). 

Com o índice de endividamento alcançando 79,1% das famílias ludovicenses, a pesquisa destaca que a contratação de novas dívidas cresceu +8,06% em relação ao mês de maio e +37,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa limitação do poder aquisitivo das pessoas é uma das principais dificuldades a serem enfrentadas pelo comércio nessa reabertura.

Segundo o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC), a  pandemia mundial do Covid-19 tem contribuído fortemente para a redução das vendas na maioria dos segmentos do comércio varejista. No Maranhão, em abril, as quedas foram de 5,1% no restrito e 16,3% no ampliado. Nesse mesmo mês, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE) chegou a registrar 80% de queda nos setores de venda de veículos e motos, corroborando o forte impacto da pandemia sobre o segmento automotivo. 

Falências

De acordo com reportagem da UOL, o desemprego, o receio da perda da renda e o medo de contrair a covid-19 são os principais fatores que atrapalham a retomada do comércio e se isso não for mudado, pode causar falências no setor. Para Eduardo Ansarah, os próximos 15 dias serão decisivos e muitos lojistas vão fazer as contas para saber se poderão continuar operando ou não.