Crédito negado levou à criação da fintech Conta Black

A fintech foi criada a fim de encontrar uma solução para desburocratizar o acesso a serviços bancários.m

Sérgio All, fundador da Conta Black (foto: reprodução)

Com menos de três anos no mercado, A fintech Conta Black vem sendo uma empresa com uma importante história por trás de sua abertura. Fundada por Fernanda Ribeiro e Sérgio All, ambos negros, a fintech nasceu de um não que o empresário recebeu ao tentar dar entrada em um empréstimo.

Como o próprio nome da empresa já diz muito, Sérgio teve seu pedido negado por contra da cor de sua pele que é negra. A partir daí, ele decidiu encontrar uma solução para desburocratizar o acesso a serviços bancários.

Classes C, D e E

Além de facilitar o acesso a empréstimos, a empresa busca evitar toda uma burocracia que impede milhares de pessoas de terem crédito financeiro à sua disponibilidade. A Conta Black oferece abertura da conta por celular, com envio de documentação básica (RG e comprovante de residência) de maneira fácil e rápida. O perfil alvo que a empresa prioriza são as classes C, D e E.

All relata que foi correntista por mais de dez anos da mesma instituição, movimentando muito dinheiro e contratando serviços que o banco oferecia. Mas, no momento que precisou, mesmo apto para o crédito, a resposta foi não. A solicitação era compatível com a sua movimentação financeira, à época. O empresário preferiu não revelar o nome da instituição bancária. Ele havia solicitado um empréstimo no valor de R$ 50 mil.

‘Start’

Para ele, o grande ‘start’ foi quando começou a se relacionar com outros empreendedores negros e da base da pirâmide e percebeu que todos tinham a mesma sensação de desvalorização. De seis sócios que a Conta Black possui, quatro são negros.

O esperado pelos sócios é que a empresa chegue aos 50 mil usuários ainda este ano. Hoje, ela possui cerca de 5.000 clientes. All afirma que sua meta é trazer para a fintech essa população que quer acesso ao crédito, mas não tem conta em bancos.

Dentro de uma estimativa de de de 45 milhões de pessoas (maiores de 16 anos) sem conta bancária, 69% são negros e 86% pertencem às classes C, D e E. É interessante ressaltar que pelo menos R$ 871 bilhões que são movimentados por ano na economia são dessa população, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva divulgado em outubro.

Educação financeira

O objetivo da empresa é incluir e dar espaço à população negra ser inserida neste ecossistema e ter o mesmo acesso a créditos e questões financeiras. Para isso, a empresa irá disponibilizar controle de despesas via aplicativo, além de promover workshops. Em julho, será lançado um blog e canal com material focado ao tema de educação financeira.

Um dos benefícios da Conta Black é direcionar o valor proporcional de 2,5% a 10% da taxa bancária ou serviço para investimento e, após 13 meses, devolver esse dinheiro corrigido na conta do cliente. O preço dos serviços cobrados varia de R$ 1,50 a R$ 10, de acordo com All.

Investidor-anjo

Para ele, o valor auxiliou para contratação de pessoas e investimento em estrutura, marketing e tecnologia, por exemplo. O investidor-anjo é um estrangeiro negro. As bandeiras com quais trabalham a fintech são as de cartão Mastercard, carteira de microcrédito e aplicativo para iOS e Android (disponíveis apenas para quem entra no site e solicita o convite para ser cliente).