Grandes tendências de investimento são aceleradas pelo coronavírus

No entanto, o Brasil fica para trás com mercado concentrado em negócios tradicionais

Analista do Credit Suisse, Daniel Rupli

De acordo com o Valor Investe, desde 2017, o banco suíço Credit Suisse publica pesquisa com os chamados ”supertrends” (ou “supertendências”) de investimento. A pesquisa tem o objetivo de mapear quais áreas devem crescer em atenção e quais empresas podem capturar essa valorização nos próximos anos. 

Na pesquisa deste ano, o impacto coronavírus foi um fator que não pôde ficar de fora. A conclusão, no entanto, foi boa: apesar de ter prejudicado a economia, a doença evidenciou cinco grandes tendências principais. São elas o capitalismo inclusivo, envelhecimento da população, infraestrutura, tecnologia a serviço das pessoas e valores dos millennials. 

Para o analista do Credit Suisse, Daniel Rupli, a pandemia está atuando como um acelerador de muitas das “supertrends” e ajudando as carteiras de investimentos com ações nessas áreas a terem uma performance acima da média em março – mês em que todos os mercados caíram. O executivo afirmou ainda que, dentro das “supertendências”, três ganharam mais destaque: a área de tecnologia, mercado para millenials e economia voltada à terceira idade. 

Brasil fica para trás 

Em entrevista ao Valor Investe, Daniel Rupli comentou que acredita que as “supertendências” são especialmente interessantes para investidores de longo prazo. Como o mercado de ações brasileiro tem uma alta concentração de negócios tradicionais em setores como financeiro, materiais e energia, e é menos exposto a setores mais próximos às ‘supertendências’, como tecnologia e cuidados de saúde, isso é uma desvantagem na hora de atrair investidores de longo prazo. 

Contudo, Rupli afirma que o Brasil pode deixar de ser um país que depende de commodities, com a maior parte da atividade econômica, além de um crescimento ainda impulsionados por setores da velha economia. 

Segundo ele, o Brasil tem muito espaço para melhorias e poderia se concentrar mais em temas como eletricidade sem emissão de carbono, transporte sustentável, negócios de vanguarda na transição do uso de petróleo e gás, reposicionando, assim, sua grande indústria de energia intensiva em combustíveis fósseis.