Lições de uma startup que não bombou

Ryan Marques revela ao Neofeed os erros que levaram a startup a fechar as portas

A InTaxi Media colocava telas com publicidade nos táxis

De acordo com a Abstartups, somente uma em cada quatro startups sobrevive aos primeiros cinco anos de vida. Ainda assim, poucas são as pessoas que compartilham as histórias de seus fracassos.

O fundador da inTaxi Media, Ryan Marques é uma dessas pessoas. Ele não só conta ao Neofeed a história do fim de sua empresa como está escrevendo um livro sobre o assunto para contar as lições que aprendeu.  

Oportunidade

A história começou em 2008, nos Estados Unidos quando Marques se formou em administração de empresas na Boston University e passou a trabalhar na Wall Street.

Foi em 2012 que a ideia de empreender surgiu. Ao pegar táxi em Manhattan, percebeu que as telinhas instaladas nos carros – com publicidade – eram uma oportunidade para o mercado brasileiro. 

Ele fez as malas e voltou para São Paulo com um estudo de mercado em mãos e com os US$ 75 mil que havia economizado. Começou o negócio desenvolvendo um software e buscando um hardware. Só que o dinheiro acabou antes da empresa começar a operar e Marques não conseguiu nada com os investidores anjo. Seu pai, empresário, entrou com um aporte de  R$ 500 mil. 

Ryan Marque: projeto audacioso e com alto investimento.

Início da InTaxi Media

Quando a InTaxi Media começou, o país estava em crise. Era o Brasil de 2014 quando Marques finalmente, depois de um ano de aperfeiçoamento, pôs o produto no ar. 

O modelo de negócios? Venda de publicidade. A empresa instalava tablets da Samsung nos carros de táxis com uma programação de 70% de conteúdos parceiros e 30% de publicidade. A InTaxi Media chegou a ter 1,2 mil pontos instalados. 

O fim

Porém, de acordo com entrevista para o Neofeed, o empresário sentia dificuldade de vender pacotes de publicidade por conta da falta de experiência no mercado: vinha do setor financeiro. 

Apesar das dificuldades, no entanto, Marques conseguiu fazer com que a startup faturasse R$ 1,5 milhão em 2018. A previsão para 2019 era ter uma receita de R$ 3 milhões, mas, no dia 15 de janeiro de 2019, um anunciante cancelou o contrato que garantiria o ano. Além disso, o segundo semestre foi terrível e entraram apenas R$ 250 mil. Com caixa para mais de 90 dias, decidiu parar por ali, fechando a empresa.  

Questionado pelo Neofeed sobre os principais erros na trajetória, Marques diz que não entendia muito do setor de publicidade, além de ter gastado muito tempo e dinheiro desenvolvendo o sistema de software perfeito quando poderia ter focado mais no alcance, tendo o dobro de telas na rua. 

Ele diz que não se arrepende de ter tentando, mas sim de ter insistido no negócio por tanto tempo.