Consumidor final é alternativa principal para pequenos produtores diante da pandemia

O distanciamento social "privou" idas em busca de produtos, assim, o consumidor final se tornou 1º opção

Berinjelas plantadas por esse produtores compõem a cesta enviada por delivery (foto: reprodução)

Após eclodir pelo mundo a pandemia causada pelo novo coronavírus, diversos setores passaram a sentir o impacto econômico, entre eles, estão os produtores rurais, pescadores e pequenos distribuidores que deixaram de garantir o valor obtido pelas vendas de seus produtos. Segundo mostra o relatório da Mintel, em abril, 79% dos brasileiros reduziram suas idas aos supermercados e lugares mais cedo, como supermercados em busca destes produtos.

Busca pelo consumidor final

Com as novas mudanças e recomendações de distanciamento social, a saída dos produtos e alimentos foi bastante afetada. Diante dessa dificuldade, varejistas buscam opções para sobreviver diante da pandemia, uma das soluções mais próximas é a tentativa de chegar ao consumidor final, para isso, muitas vezes eles precisam da ajuda dos próprios empreendimentos.

Impedidos de visitarem os locais que recebem seus produtos, os produtores de queijo artesanais sentiram “na pele” o novo método para evitar a propagação do vírus. Em Minas Gerais, por exemplo, a ida às fazendas refletiu diretamente na diminuição de produção do queijo e do retorno financeiro.

Percas na fabricação de queijo

O leite retirado das vacas não é desperdiçado, mas torna-se aliado e é usado na fabricação de queijo. Por outro lado, com a pandemia e distanciamento, as saídas vão deixando de fazer sentido quando os produtos ficam parados, já que os produtores não conseguem escoar a produção.

A opção que mais vem sendo usada é de delivery, diante do cenário que vive o mundo. O Juramento 202, bar responsável por contribuir com o andamento da cervejeira de Belo Horizonte, criou junto a parceiros um canal de venda direta que valoriza o queijo mineiro e facilita a entrega para o consumidor.

Entrega a domicílio

A fim de contribuir com o meio de transportar o queijo à capital mineira, o Juramento 202 buscou parceiros que seriam essenciais nesta causa, e o jornalista e pesquisador Eduardo Girão foi um desses parceiros. Rafael Quick, um dos sócios do Juramento 202 explica que é uma microplataforma online de queijos mineiros, são 10 queijos de diferentes regiões que ficaram mais acessíveis aos clientes. Foi uma forma que encontramos para ajudar os quejeiros que, assim como todo o setor, estão numa posição vulnerável.

Rafael ainda relata que pagaram o preço pedido pelos produtor, sem barganhar. E tentaram vender pelo preço mais acessível possível. Da parte deles, oferecem uma venda paralela de suas cervejas para harmonizar com os queijos. Sao kits com queijos e as latas que criaram especialmente para esses tempos de pandemia. Junto à remesse de queijos, fica à venda os artesanais.

Vegetais para delivery

Os produtores de orgânicos também tem sido ajudados por chefs, como, por exemplo, César Costa, no Corrutela, em São Paulo. Para que as vendas não fiquem paradas, os vegetais são enviados por delivery. Os produtores são todos pequenos e tem com eles uma parceria bem estabelecida. Pensaram que poderia ser uma boa maneira de ajudá-los a escoar os ingredientes nesses tempos em que é mais difícil chegar aos consumidores, relata Costa.

Produtos como legumes (como abobrinha e berinjela) a ervas (como salsa e tomilho) e barra de chocolate com cacau 70% produzido no restaurante a partir de amêndoas de cacau enviadas da Bahia. Por questões ligadas à higiene e novas maneiras de conservar e tratar dos alimentos consumidos, o hábito de cozinhar em casa voltou a ser rotina. Os produtores, por meio disso, aproveitam e passam a fornecer produtos, evitando a falência dos distribuidores.

Bruno Carrilho, um dos fundadores da cervejaria Musa disse que não tiveram muito parâmetro porque foi uma iniciativa nova. Mas ficaram surpresos. Tinham uma demanda latente de pessoas que não podiam ir aos bares, mas que queriam comprar as cervejas deles. Mesmo que os restaurantes e bares já tenham voltado em Portugal, estão longe de sua capacidade normal. As vendas ao consumidor final permitiram atuar em um outro nicho, e seguir de acordo com as ondas.