Pesquisa aponta que 59% do acesso à internet é via celular

De acordo com a pesquisa, 134 milhões de pessoas estão conectadas à internet

Em 2019, 58% das pessoas acessavam a internet pelo celular (foto: reprodução)

Por meio de aparelho celular, em 2019, pelo menos 58% de brasileiros acessavam a internet, segundo aponta a pesquisa TIC Domicílios. Exatas 134 milhões de pessoas estavam conectadas, de alguma forma, via internet, ou seja, 74% da população. A pesquisa também mostra que 71% dos lares recebiam sinal de internet.

O aparelho celular alcança 99% da população. Em 2014, 76% das pessoas tinham aparelhos, o que apontava menor número de celulares, cenário que começa a mudar a partir de 2015 quando o número cresce.

Regressão de internet pelo computador

O smartphone é bem mais utilizado pela população, outro dado revelado em 2014, era o uso de internet via computador, que chegava a 80%, mas os números regrediram durante os anos. Em 2019, apenas 42% usavam internet em computadores.

Distribuídos por áreas, a dependência do celular fica desta forma a seguir: A área rural com 79%; a área urbana com 56%. 11% da classe A tinha uso exclusivo, enquanto as classes D e E representavam 85%; a classe C tinha 61%. Mulheres com 63% e homens com 52%.

É bom que tenha acesso, mas tem limitações para o desenvolvimento de muitas habilidades. Quem faz uso exclusivo do celular tende a ter um uso bem instrumental. Por exemplo: quando é avaliado o uso múltiplo de dispositivos, o uso de governo eletrônico é maior. Aqueles pelo celular o patamar é 30 pontos a menos. A caminhada está sendo no sentido de ter acesso amplo, mas basta ter acesso, relata o coordenador do Cetic.br, responsável pela pesquisa, Alexandre Barbosa.

Rafael Evangelista, pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e da Rede de Pesquisas em Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), há um efeito preocupante dessa dependência no uso. Isso porque há uma franquia limitada de dados e como os pacotes variam conforme a renda, um grande contingente contrata serviços com pouca capacidade, ficando relegado aos aplicativos gratuitos.

Resultados indesejáveis

Flávia Lefévre, advogada e integrante do Comitê Gestor da Internet e da Coalizão Direitos na Rede, ressalta que a aposta que os governos fizeram de fazer a inclusão digital pela rede móvel está mostrando que leva a resultados indesejáveis e não inclui. Você vê que o uso principal é mensagens e redes sociais. Outros usos são poucos. As demais atividades estão circunscritas a classes A e B e C. Nesta pandemia, está se vendo estudantes de periferia com dificuldade de estudar em casa.

Marcos Ferrari, presidente do Sindicato das Empresas e Telecomunicações (Sinditelebrasil), relatou que nas cidades menores, de baixo índice IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e em áreas menos favorecidas, há a necessidade de se ter políticas públicas que favorecem a demanda (tributação menor), que incentivem o uso de recursos dos fundos setoriais para disponibilizar infraestrutura e que privilegiam nos editais de venda de licenças (como o 5G) compromissos de abrangência voltados à ampliação de backhaul óptico e infraestrutura de acesso.