Depois da Latam, cresce pressão por ajuda estatal para aéreas

As companhias aéreas, que transportaram mais de 100 milhões de passageiros em 2019, foram afetadas pela forte redução nas viagens diante do coronavírus

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A pior crise do setor de aviação já quebrou as duas maiores companhias aéreas da América Latina. Se a ajuda dos governos não começar a se materializar, a situação pode piorar. A Latam Airlines, maior aérea da região, nesta semana seguiu os passos da colombiana Avianca e pediu recuperação judicial em Nova York.

As companhias aéreas, que transportaram mais de 100 milhões de passageiros no ano passado, foram afetadas pela forte desaceleração das viagens diante das medidas de restrição de mobilidade para impedir a propagação do coronavírus. Investidores já lançam dúvidas sobre algumas das maiores aéreas que restam, empurrando para território distressed os rendimentos de títulos vendidos pelo Grupo Aeromexico, Gol e Azul.

A chave para saber se mais aéreas estão à beira do abismo é se começarão a ter acesso a pacotes de resgate semelhantes aos que sustentaram as maiores do setor nos Estados Unidos e Europa. No entanto, governos da América Latina carecem do nível de acesso ao crédito que EUA e Europa tiveram durante a pandemia, deixando empresas de mercados emergentes em desvantagem.

Os voos na América Latina e Caribe despencaram 93% neste ano até o fim de abril, a maior queda do que em qualquer região fora da África, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo. A demanda deve demorar para se recuperar mesmo após o fim das restrições às viagens. Com isso, as aéreas correm risco de perder pelo menos US$ 18 bilhões em receita de tráfego de passageiros neste ano.

Shamaila Khan, diretora de dívida de mercados emergentes da AllianceBernstein, disse em Nova York que companhias aéreas são um dos setores mais impactados como resultado do vírus, por isso não é surpreendente que busquem recuperação judicial. No entanto, ela acredita que governos estarão cada vez mais dispostos a ajudar o setor.