Grupo Fleury anuncia teste inédito no mundo para coronavírus

O novo teste para coronavírus tem 84% de sensibilidade, enquanto o PCR, mais tradicional, tem 100%, mas é opção para cidades sem laboratórios

O Grupo Fleury, empresa brasileira dona dos laboratórios de mesmo nome, anunciou o lançamento de um teste inédito no mundo para diagnosticar o novo coronavírus. Diferentemente dos que existem atualmente no mercado, a nova versão será responsável por analisar a proteína do vírus, em vez do RNA.

Segundo a companhia, o objetivo é levar a forma de diagnóstico às cidades mais vulneráveis e com acesso restrito a laboratórios. O Dr. Celso Granato, infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury, afirmou que o RNA é uma molécula muito frágil, não aguenta variações de temperatura, então você é obrigado a processá-las em tempo curto ou em temperaturas baixas, o que faz com que seja muito difícil para algumas capitais no Brasil realizarem esses testes.

Segundo ele, depende muito da distância que a pessoa está do laboratório e da temperatura que você consegue mantê-lo. Já a proteína do vírus pode ser identificada à temperatura ambiente por cinco dias após a coleta do material. Granato também afirma que a proteína, em ambiente frio, pode durar até mais do que cinco dias — o que facilitaria o processo de detecção do vírus.

O teste RT-PCR, o mais preciso usado atualmente, tem uma sensibilidade maior à doença do que o proteômico. O teste desenvolvido pela Fleury tem 84% de sensibilidade, 100% de especificidade, versus 100% do mais conhecido. Granato diz que está trabalhando para aumentar isso e chegar a, pelo menos, 90%, e que nunca terá uma técnica com a mesma sensibilidade do PCR. Ele diz que a preocupação é quando o RNA vem de lugares mais remotos.

Os testes já estão disponíveis apenas em hospitais e laboratórios fora de São Paulo. De acordo com os dados do Fleury, o diagnóstico é mais eficiente entre o terceiro e o sétimo dia depois do ínicio dos sintomas da covid-19. A companhia tem material para produzir 15 mil testes e, segundo Granato, consegue produzir cerca de 1.500 testes do tipo por dia.

Ele diz que se por acaso essa demanda aumentar, terão mais máquinas que poderão alocar para isso. Outro ponto que pode facilitar a produção dos testes são os reagentes utilizados. Enquanto para produzir o RT-PCR, um combate tem sido instaurado para encontrar os ingredientes, a versão da companhia não exige tantos produtos de alta demanda e a maior parte deles é fabricada no Brasil.

A empresa demorou dois meses para desenvolver o projeto. O valor para os laboratórios será 15% mais baixo do que o PCR (entre 170 e 180 reais), mas cada um terá uma negociação. Na última semana, o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, anunciou o desenvolvimento de um tipo também inédito de teste para a covid-19, de precisão igual ao do RT-PCR, mas com volume maior de processamentos.