“Fast-fashion” enfrenta crise de produção por conta da pandemia

De acordo com a consultoria McKinsey, mais de 30% dos participantes do setor não sobreviverão à crise

Pandemia "quebra" produção de setores "fast-fashion" (foto: reprodução)

Com a estimativa de, pelo menos, 30% dos participantes do setor mundial de moda não resistirem à crise, diversas fabricantes de roupas sentiram na “pele” o impacto financeiro causado pela pandemia do coronavírus. O resultado negativo levou o chefe da fabricante de roupas Denim Expert, de Bangladesh, Mostafiz Uddin a constatar que o impacto no varejo seria enorme, de acordo com um e-mail enviado por ele. A Denim Expert teria 2 mil funcionários que costuram jeans para marcas europeias de alto padrão.

Com o período confinamento e medidas de segurança, o primeiro choque de realidade sentido pela Denim Expert, foi assim que a Peacocks, varejista britânica de “fast-fashion“, relatou que não pagaria à Denim as roupas encomendadas, incluindo o “estoque já entregue”.

Mesmo com as vendas pela internet estando em funcionamento normal, as vendas caíram e o fluxo de receita para diversos varejistas do mundo no setor secou. A crise chegou para todas, das menores às maiores, as lojas Oxford Street, por exemplo,repercutem o encerramento de suas filiais até hoje. Fábricas são fechadas em Bangladesh e no Vietnã e sobem os estoques de algodão. O declínio salarial chegou a US$ 2,5 trilhões.

Lojas do Reino Unido, por exemplo, que durante esse período, anos anteriores já estariam com encomendas a todo vapor, precisaram frear seus pedidos. Para as coleções da primavera europeia de 2021, as coleções já estavam sendo produzidas, mas agora, diante da pandemia mundial, as empresas tentam desfazer contratos.

Por falta de condições de pagamento, a Uddin em Chittagong, costurou e enviou mais de 43 mil pares de jeans para a Peacocks, que se recusou pagar pelas peças solicitadas e recebidas. De acordo com a Uddin, seus funcionários tentaram contatar a Peacocks propondo acordos quanto às roupas ainda em produção.Estes acordos permitiriam redimensionar ordenadamente a fábrica, mas Uddin não teve nenhuma resposta.

Segundo associações setoriais em Bangladesh, mais da metade de trabalhadores foi demitida, o país tem a maior receita gerada pelo setor e empresa mais de 4 milhões de pessoas, a maioria mulheres.

Mesmo diante dos “furos” tomados por conta da pandemia, Uddin diz que não entrará na justiça contra os clientes que o deixaram com contas pesadas a pagar. Se ele processar, ficará conhecido para sempre como o fornecedor que processou seu cliente. Provavelmente, estaria acabado como empresa.