Bares e restaurantes se “reinventam” para a futura reabertura

Mesmo sem prazo, até o momento, a Abrasel atribuiu aos estabelecimentos algumas recomendações antes de voltarem a funcionar

Luvas, máscaras, cardápios plastificados e proteção em acrílico na frente da comida são métodos de evitar a contaminação pelo coronavírus (foto: reprodução)

Por conta do distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19, muita gente temerá voltar à convivência normal. Mas alguns setores já estão se preparando para um possível retorno. Uma das preocupações dos donos de bares e restaurantes é a limpeza e higiene de produtos usado em seus estabelecimentos, para isso, a principal estratégia é ser precavido e apostar em novos protocolos sanitários.

O vírus que é altamente contagioso pode ser transmitido, principalmente, em locais com maior quantidade de pessoas próximas umas das outras. Pensando nisso, a Abrasel (Associação Brasileia de Bares e Restaurantes) orienta os responsáveis por negócios do segmento a seguires algumas recomendações, com isso, as pessoas tendem a confiar mais em voltar a frequentar o local e o lado financeiro volta a andar rumo à retomada.

Regras para futuro “novo normal”

O “novo normal” contará não só um maior distanciamento entre mesas e reforço nas rotinas de higienização como também adaptações nos objetos e utensílios colocados nas mesas e balcões, além de mudanças na maneira de receber e servir os clientes. A nova rotina gastronômica deverá incluir, entre outras coisas, o fim do menu em papel, substituição dos guardanapos de pano, abandono do sistema self-service e muito álcool em gel.

Ainda que esses estabelecimentos estejam trabalhando com o sistema delivery durante a pandemia, foi possível que os proprietários notassem queda no faturamento, com os locais fechados, o prejuízo chegava até 80% em alguns deles. Os empresários afirmam que estão sendo obrigados a reinventar os seus negócios para garantir a continuidade das atividades e reconquistar a confiança de clientes na futura reabertura.

20% dos bares e restaurantes fecharam as portas

Um dos principais setores empregatícios – bares e restaurantes – empregavam cerca de 6 milhões de trabalhadores, mas diante da crise financeira, de acordo com a Abrasel, os negócios não estão indo bem, o que resultou em 1 milhão de empregos formais extintos e 20% dos bares e restaurantes do país fecharam as portas em definitivo.

Os números de infectados crescem e o Brasil já ultrapassou a marca de 10 mil mortos, com isso, são poucas as expectativas desses empresários para retornar ao trabalho em breve, o mais esperado por eles é que esse tempo ainda esteja bem distante. Sócio de duas unidades da pizzaria Villa Roma, Gabriel Pinheiro, diz não contar com uma autorização para a reabertura tão cedo.

Reabertura em longo prazo

Segundo ele, o setor de restaurantes vai ser um dos últimos a poder reabrir. Se tudo der certo, ele acredita que a partir de junho começa a liberar. Pinheiro ressalta sua convicção que os primeiros meses após a reabertura dificilmente conseguirá recuperar o movimento de clientes pré-pandemia – mesmo porque terá que reduzir o número de lugares nos seus salões em mais da metade (de 220 para 100). Por isso, decidiu preparar desde já um plano de adaptação aos novos tempos e investir em inovações para tentar ao menos elevar o faturamento e sair na frente da concorrência.

Cuidados básicos como medir a temperatura dos clientes na porta da entrada são os essenciais, os funcionários e garçons serão orientados a usar mascarás com proteção de acrílico. A fim de evitar aglomerações na entrada dos bares ou e/ou restaurantes serão feitas reservas antes da abertura dos estabelecimentos. Só serão aceitos clientes que entrarem em contato para fazer a reserva. O número de opções de pizza foi reduzido de 50 para 28.

Seis “tensos” meses

Pinheiro imagina que vai ser um período difícil nos próximos seis meses, pelo menos. O maior problema dele é a retomada da confiança, os clientes entenderam que o restaurante está tomando todos os cuidados. O empresário afirma que o serviço de delivery tem garantido mas receita de apenas 20% da que tinha antes da pandemia, mas que conseguiu negociar um abatimento de 50% no valor do aluguel.

Com planejamento de ampliar a segurança para os clientes e funcionários, o restaurante Bendita Panelinha cogita reabertura com a manutenção do sistema por quilo. A opção mais segura estudada pelo dono do local é que em vez do método tradicional de self-service, a refeição passará a ser servida pelos funcionários e o local onde estiver toda a comida, será protegida por placas em acrílico. Uma outra opção para os clientes é fazer uso de luvas descartáveis.

Cássio Horita, sócio do restaurante informa que estão fazendo contas e fazendo simulações. Ter funcionários de um lado da pista do buffet servindo e os clientes escolhendo agrada mais. O problema é que vai precisar de, no mínimo, 5 ou 6 pessoas, é mais gente que vou ter que empregar. Ele relata que vai esperar o que vai sair de restrição definitiva mesmo para decidir.

Além dos métodos acima, o restaurante também irá tomar precauções usando demarcações no chão para orientar o distanciamento entre os clientes e instalação de totens de autoatendimento para o pagamento das refeições. O restaurante ganha no giro. Se tiver metade dos assentos, o faturamento também cai pela metade. Não adianta ficar só esperando voltar e achar que vai encher de novo porque não vai. Tem que ser realista, informa Horita.

Acompanhe algumas recomendações passadas pela Abrasel:

Redução da capacidade de público e separação mínima de 1 metro entre as cadeiras ou 2 metros entre as mesas

Distanciamento de 1 metro entre pessoas nas filas de entrada ou para pagamento

Uso de modelo de cardápio plastificado, que possa ser higienizado após o uso, ou de menu em lousas ou nas paredes

Disponibilização de álcool em gel 70% na entrada, caixa e em pontos estratégicos

Uso de lixeiras com tampa e pedal, nunca com acionamento manual

Higienização de comandas em cartão e das maquininhas de pagamento a cada uso

Instalação de barreira de acrílico no caixa

Limpeza e higienização de mesas e cadeiras após cada refeição e desinfecção de objetos e superfícies que sejam tocados com frequência

Reforço da higienização dos alimentos crus como frutas, legumes e verduras

Em restaurantes por quilo, ter funcionários para servir os clientes equipados com luvas, máscara ou oferecer luvas de plástico descartáveis

No sistema buffet, os alimentos devem ter bloqueio de placas de acrílico, com protetores salivares com fechamentos laterais

Oferta de talheres em embalagens individuais

Orientar clientes sobre a importância de evitar o compartilhamento de talheres, copos e outros objetos à mesa,como o telefone celular

Se a legislação local exigir que os clientes usem máscaras ao entrar no estabelecimento, avaliar a possibilidade de oferecer máscaras descartáveis