Bancos oferecem ajuda às empresas, mas dificultam a aprovação do crédito

Apenas 1% do orçamento oferecido por bancos foi emprestado às empresas durante pandemia

A linha de crédito emergencial é uma iniciativa do governo e o BNDES (foto: reprodução)

Por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, empresas encontram dificuldades para manter o pagamento de seus funcionários em dia. A fim de contribuir com elas, foi colocada à disposição dos empresários uma linha de crédito oferecida pelo governo em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Acontece que, dos R$ 40 bilhões prometidos, apenas R$ 413,4 milhões foram liberados – uma parcela que representa 1% do valor total. O valor, que seria de enorme ajuda às empresas, não chegou ao destino prometido.

Empresários alegam que, mesmo buscando os bancos para solicitar o crédito, os passos burocráticos limitam chegar ao estágio final do acordo entre as partes. O BNDES, que é o facilitador para a liberação da verba é responsável por 85% do crédito, e 15% é responsabilidade dos bancos privados.

Crédito para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões

A taxa de juros prefixada é de 3,75% e as empresas recebem o prazo de 30 meses para o pagamento, com carência de seis meses para a primeira parcela. Podem dar entrada ao pedido de crédito aquelas empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões em 2019.

Segundo o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, a coisa pega na análise de crédito, pois os bancos usam uma metodologia de análise de crédito velha, de antes da crise, para um momento novo.

Pela primeira vez, o dinheiro não é do banco. O dinheiro em do Tesouro e, se o risco é do Tesouro, é um problema esse dinheiro não chegar na ponta. Couri acrescentou, ainda, que se o crédito não for liberado de maneira ampla, as empresas irão demitir cada vez mais durante a crise.

Se continuar com esse critério, o dinheiro não chegará na ponta, e as empresas estão tentando se defender para sobreviver. Então, a empresa demite, reduz salário e jornada, e aperta muito todo o cerco de sobrevivência.

Falta de acesso ao crédito resulta em demissão em massa

A falta de acesso à linha acaba contribuindo para demissões em massa. Caso os empréstimos fossem aprovados na análise do banco, o dinheiro serviria para equilibrar os negócios por maior tempo, sem a necessidade de desligar os trabalhadores.

Gerson Higuchi foi um dos prejudicados pelo falta de aprovação do crédito. O empresário responsável por um restaurante com um quadro de funcionários composto por 20 pessoas, precisou demitir 16, ficando apenas com 4 de seus ajudantes.

De acordo com Higuchi, algumas regras específicas dos bancos dificultam o acesso das empresas à linha de crédito especial. Há uma série de regras que inviabilizam o empréstimo às empresas. O principal seria que a equipe tivesse conta salário nos bancos, mas os funcionários dele tinha contas normais.

Reclame Aqui

Os métodos usados pelos bancos e a falta de acesso à linha geraram diversas queixas no site do ReclameAqui. Empresários que recorreram à opção do crédito e não tiveram liberação, tomaram providências voltadas à justiça.

Uma empresária que preferiu não se identificar disse que foi tentar o empréstimo para a folha do pagamento, garantido pelo governo e descobriu que só tem acesso quem usa o serviço de RH do banco. E esse mesmo serviço só aceita funcionários que tenham conta salário.

Em defesa, os bancos procurados alegaram que as condições anunciadas variam de acordo com a instituição financeira. O Banco do Brasil informou que as empresas conveniadas ao banco também podem solicitar o crédito. Ressaltou que há carência de seis meses no crédito, mas os juros desse período de carência serão diluídos nas parcelas de capital. Além disso, não haverá cobrança de IOF.

A Caixa se absteve de falar sobre o ocorrido, enquanto o Santander informou que a empresa ilegível precisa ter a folha de pagamento no banco, CNPJ ativo, que pode ser consultado na Receita Federal, e sem atrasos de até 30 dias com a instituição financeira. O Bradesco fez a oferta desde o início de abril, com um crédito pré-aprovado pelo Net Empresa ou no Net Empresa Celular.