Google avalia cenário brasileiro pós-pandemia

Fábio Coelho, funcionário que ocupa um dos mais importantes cargos da Google pontua algumas mudanças pós pandemia no Brasil

Fábio Coelho, presidente da Google Brasil (foto: reprodução)

A economia mundial jamais esperou enfrentar um cenário tão impactante e caótico como o “furo” que todos os países estão vivendo por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus. Além de mais de 3 milhões de pessoas infectadas, o vírus também foi responsável por mais de 230 mil mortes, valendo lembrar que o Brasil já ultrapassa a marca de 10 mil mortos. A crise financeira que o mundo pós pandemia precisa enfrentar foi pauta abordada pelo mais renomado funcionário da Google, Fábio Coelho, em entrevista cedida ao EXAME.

Fábio, que já passou por empresas como PespiCo, Citibank e AT&T, e é presidente da Google no Brasil, tem um papel importante e é capaz de palpitar como pode se comportar o mundo daqui a uns meses, já que dentro de seus locais de trabalho precisou gerenciar crise – jamais comparadas ao colapso vivido atualmente – mas, já vivenciou alguns momentos turbulentos. Para ele, será possível construir uma sociedade mais eficiente e com menos desperdício.

Google enfrentando a pandemia

A empresa tem como meta ajudar as pessoas a seguirem suas melhores decisões por meio da informação que é repassada pelo plataforma. Para isso, é essencial que os funcionários estejam bem, desta forma, é possível servir o público com qualidade. Fábio pontua os próximos passos pretendidos pela Google: apoiar comunidades; governos; organizações e autoridades. Inclusive, por meio de aplicativos na plataforma – para obter o auxílio emergencial de R$ 600 reis. O quarto pilar é a continuidade dos negócios com o auxílio na transformação digital das empresas.

Desafios do combate ao coronavírus

O desemprego é um agravante, milhares de pessoas que correm o risco de ficar fora do mercado de trabalho por um tempo ainda indeterminado. O que afeta diretamente na economia do Brasil. Existe a questão de empresas encerrando seus trabalhos, ou seja, fechando, isso também é um fator preocupante. Fábio diz que o que a empresa pode fazer é criar condições para que as empresas sejam mais eficientes.

Google pós pandemia

Depois de 15 anos, nada muda para a empresa, mesmo depois de todo esse momento triste que vive o mundo. Empresas precisam estar preparadas para gerenciar períodos de crises, portanto, é observar o cenário econômico e lidar com ele da melhor e mais positiva maneira. Fábio relata que já passaram por outros momentos complicados no Brasil, como 2012 e 2016 e conseguiram sair da crise adotando uma postura de ajudar a sociedade e manter um negócio saudável. Essa é a melhor forma de se manter estável, ajudando a sociedade que é chave para o sucesso da Google.

Fake news

Como plataforma que tem o papel de repassar informações e manter informadas milhares de pessoas, a dica é utilizar fontes autoritativas. A Google criou um fundo para ajudar no combate às fake news. Além disso, foram disponibilizados anúncios gratuitos para as autoridades colocarem conteúdos à disposição das pessoas. Fábio ressalta que não há nada melhor que manter a informação de qualidade para combater a desinformação.

Tecnologia e subnotificação

Basicamente nenhuma. O que realmente importa, por agora, é acompanhar e notificar o número de mortos. Casos subnotificados englobam pessoas com sintomas bem leves, que chegam aos hospitais e os profissionais da saúde não veem necessidade de internar aquele paciente. A subnotificação ocorre em diversos lugares do mundo porque existem pessoas que são assintomáticas.

Lições para o Brasil após a crise

Para Fábio, o país entenderá que é necessário melhorar e investir principalmente em saneamento, limpeza e saúde em geral. São pilares que precisam ser mais trabalhos. Há o elemento da conectividade que mudou a forma como as pessoas interagem. Nos negócios, se vê que as empresas que não faziam vendas digitais estão aprendendo a fazer isso na marra e em pouco tempo.

Hábitos de consumo pós-pandemia

O que mais se evidenciou durante a pandemia – e ainda acontece – é a valorização de bens duráveis. De estar em contato direto com a internet não apenas para acessar redes sociais, mas para realizar compra online, sem precisar sair de casa, por exemplo. Os produtos que são mais usados em casa, como, liquidificador e batedeira, passaram a ser vendidos em maior quantidade. As pessoas vão descobrir e pensar em necessidades diferentes.

Home Office: e se a moda pega?

O trabalho presencial não será extinguido mas, quem sabe, pode ser reavaliado e você não precise fazer isso da forma como era feito antes. Fábio explica que já se trabalhava em fábricas, com horário fixo, desde o advento da revolução industrial. Há mais de um século. Há um novo contrato de interação social para trabalhar e estudar. É possível que se construir uma sociedade mais eficiente e com menos desperdício.