Nova Zelândia afrouxa o isolamento com método das “bolhas sociais”

O modelo é uma maneira cautela de voltar a sociedade ao convívio social

O método das 'bolhas sociais' para alguns países não permitem mais de 10 pessoas em um grupo (foto: reprodução)

A bolha social, movimento iniciado pela Nova Zelândia durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, é um modelo da cautelosa volta da população às ruas e ao convívio moderado dos habitantes.

O país tem sido citado como referência para outros por conta dessa ideia. Outros locais que enfrentam a pandemia ainda sentem a dificuldade que é “liberar” pessoas para voltar às suas rotinas de antes e a Nova Zelândia pode servir de exemplo para o mundo.

A principal recomendação durante esse período é ficar em casa e manter o isolamento social, em alguns locais usa-se o isolamento horizontal e em outros o vertical. É essencial que seja mantida a quarentena a fim de regredir o número de casos de infectados pelo novo coronavírus. Mas isso não impediu que a Nova Zelândia adaptasse seus moradores a ter contato com outro,s mas sem exagero e mantendo o controle.

Com a iniciativa tomada, foi possível perceber a diminuição de seu nível de alarme de 4 para 3. Por meio do site do governo, foi divulgado que as pessoas devem continuar dentro da bolha de sua casa, mas podem expandi-la para se reconectar com sua família ou para trazer cuidadores ou ajudar pessoas isoladas, desde que todos vivam na mesma cidade.

Recomendações para compor a bolha

Mas o que seria essa bolha? É a interação mais próxima de pessoas que estão no mesmo convívio umas das outras. Seus familiares que moram em casas ao lado da sua, seus amigos que convivem bem perto de você e não estão mantendo contato com outros grupos distantes. Se o seu grupo de pessoas, ou seja, sua bolha social for de 7 pessoas, essas 7 não podem fazer parte de outro grupo. Outro exemplo, se você mora em determinada quadra de uma rua, não pode ter contato com os moradores da quadra vizinha.

Segundo o professor associado da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Stefan Flasche, essa abordagem é uma maneira de aumentar o contato social e minimizar o risco de transmissão da doença, pois, se ocorrer uma infecção, ela permanece na bolha e não será transmitida a outras pessoas. aneira eficiente de relaxar as restrições que, em princípio, são viáveis em quase todas as situações em que o número de infecções não está mais aumentando, declara.

Máximo de 10 integrantes

É de extrema necessidade manter o bom senso e ter consciência que o movimento não é uma permissão de “festas e afins”, é um passo a favor de tirar o indivíduo de total isolamento e levá-lo para um grupo pequeno que já era seu grupo ou bolha social antes da pandemia, por exemplo. Países que estudam o método, opinam na quantidade de pessoas em um grupo, e estipulam, no máximo, dez pessoas por bolhas sociais. Mesmo sendo pioneira da iniciativa, a Nova Zelândia não estipula quantidade determinada para cada grupo.

Os locais que pretendem, provavelmente, testar a ideia usada pela Nova Zelândia é o Canadá, a Escócia e a Bélgica. Um dos motivos que levam esses países a tomarem a mesma iniciativa, como explica Per Block, co-autor de um estudo liderado pela Universidade de Oxford sobre estratégias baseadas na reestruturação de nossas relações sociais para achatar a curva da Covid-19 pós pandemia são as vantagens que as bolhas sociais podem ter.

Quanto mais rigorosa a quarentena, maior o curso para a vida social e o bem-estar psicológico das pessoas. Há uma enorme diferença entre encontrar algumas pessoas ou ficar sozinho em casa, especificamente para pessoas que são psicologicamente vulneráveis, ou que estão em uma situação insegura, ou que precisam de contato físico para o seu bem-estar mental, relatou Block.

Redução de estresse e ansiedade

Quem também enxerga a bolha social como positiva é vice-diretor da Rethink Mental IIInes, ONG britânica que presta cuidados às pessoas com problemas de saúde mental. Para ele, isso permitirá que as pessoas diminuam a ansiedade que estavam sentindo por ficarem presas em suas casas. As pessoas têm sido muito criativas, mas francamente o que precisam agora é apenas um abraço, comenta.

Um ponto interessante para avaliar a composição de determinada bolha é a compatibilidade, não é nada agradável juntar apenas crianças em uma roda que só tenha adultos, com essa atitude, a criança se sente isolada e sozinha mesmo entre tantas pessoas. Sobre isso, Flasche declarou que se dependesse dele e de sua parceira, certamente estariam “OK”, se comunicando digitalmente com os amigos, mas eles tem uma filha de quatro anos e a situação dela é pior, porque ela sente falta da interação física com seus amigos porque não consegue se comunicar digitalmente.

Outro ponto citado por Block é criar uma bolha com um grupo geograficamente próximo, como vizinhos que são amigos e com uma estrutura familiar semelhante, para que em caso de contágio, você possa limitar a distância de propagação da doença. Mas para de fato surtir efeito e chegar ao sucesso do modelo iniciado pela Nova Zelândia, as pessoas precisam se comprometer a cumprir regras. Uma solução intermediária entre agora e talvez daqui a um ano em que voltaremos a interagir normalmente, explicou Block.