Antiviral mostra eficácia no combate ao novo coronavírus

Os resultados foram baseados na pesquisa do médico Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA

Tratamento com o Remdesivir pode ser possível após testes nos EUA (foto: reprodução)

Entre suposições, receio e um fio de esperança, um novo medicamento chama a atenção de estudiosos que buscam a cura para a Covid-19. Pesquisas mais recentes apontam o antiviral remdesivir como forte componente ao combate do coronavírus.

Na semana passada, o responsável pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, um dos renomados médicos com estudos à frente do tratamento ao novo coronavírus, anunciou o início de testes com uso da substância.

Mesmo com grandes expectativas, ainda é incerto o resultado e eficácia do medicamento no organismo. Ao longo dos testes, a pesquisa identificou melhora nos sintomas do vírus os reduzindo de 15 dias para 11 dias. Os resultados foram apresentados, mas o instituto preferiu manter em sigilo , o resultado total.

Efeito “certeiro”

A princípio, o remdesivir foi desenvolvido para tratar o vírus do ebola assim que milhares de pessoas foram mortas após contraí-lo. Seu poder funcional ataca uma enzima de que o vírus necessita para se replicar dentro das células.

Em anúncio oficial, Fauci, junto à assessora Casa Branca em assuntos de saúde desde a gestão Ronald Reagan, explicou que os dados mostram que o remdesivir tem um efeito certeiro, significativo e positivo na diminuição do tempo de recuperação.

O receio desencadeado ao testar o medicamento em humanos é a taxa de mortalidade, que foi de 8% nos testados e 11,6% naqueles que receberam um placebo.

A porcentagem ainda é baixa, mesmo se tratando de morte, com isso, ainda não é possível saber ao certo sua importância. Em um cenário de questionamentos, o médico afirmou que esses resultados abrem as portas para o fato que agora existe a capacidade de tratar pacientes.

Tempo de recuperação ou mortalidade

Com o comparativo não tão significativo em relação à pesquisa, é levantado o questionamento de sua importância e necessidade de utilização. Também no último dia 29, de acordo com a revista médica Lancet, pesquisadores chineses não identificaram tantas diferenças entre o remdesivir e um placebo no tempo de recuperação ou mortalidade.

Essa constatação se deu por meio da avaliação do estado de saúde dos 237 adultos internados que passaram pelos testes nos hospitais em Wuhan, na China, é importante ressaltar que esses pacientes eram considerados graves.

Quando aos possíveis resultados positivos ou negativos, Mahesh Parmar, que supervisionou a pesquisa do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeccionas dos EUA, afirma que não este, mas outros estudos com o remdesivir precisam ser aprofundados para garantir sua eficácia.

Revisões e avaliações para possível licença

O diretor da Unidade de Ensaios Clínicos MRC da Universidade College London, Parmar explicou que antes que este medicamento seja disponibilizado mais amplamente (para tratamento da Covid-19), algumas coisas precisam acontecer. Primeiro, dados e resultados (de pesquisas) precisam passar por revisões para avaliar se o tratamento pode ser licenciado. Depois, vários países terão que avaliar sua eficácia através de suas próprias autoridades de saúde.

Quanto a questão de rápida aprovação, os dados são promissores e, como ainda não temos tratamentos comprovados para a Covid-19, eles podem levar à aprovação rápida do remdesivir para o tratamento da doença, explicou Babak Javid, consultor em doenças infecciosas dos hospitais da Universidade Cambridge.