Linha de crédito para pagar folhas tem baixa demanda

O financiamento, criado para ajudar pequenas empresas durante a crise, teve apenas 35% de oferta

Neste mês, o Senado aprovou o projeto que cria linha de crédito para auxiliar micro e pequenas empresas durante a crise do novo coronavírus. Contudo, até agora, o projeto atraiu pouca demanda. Dos R$ 20 bilhões disponibilizados para o primeiro mês, apenas menos de R$ 7 bilhões foram contratados. Isso é apenas 35% da oferta. 

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, disse ao Valor que o dispêndio está menor do que se havia imaginado originalmente, apesar de já haver uma expectativa nos bancos de que os recursos não seriam totalmente demandados. 

Causas 

Uma das principais razões para a baixa demanda da linha de crédito para folha de pagamento é o medo dos pequenos empresários de se endividar durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Além disso, um dos entraves é que a medida só permite o acesso aos recursos por parte de empresas que não tenham pendências com o INSS, deixando de fora 20% das empresas elegíveis à modalidade. 

Uma pequena parcela também atribuiu a falta de interesse na linha de crédito por estar fazendo demissões ou suspendendo os contratos de trabalho. Os beneficiários da medida emergencial não podem fazer demissões durante esse bimestre. 

Como funciona a linha de crédito 

Com duração de 2 meses, o programa tem um custo mensal de R$ 20 bilhões por mês e visa financiar folha de pagamento de pequenas e médias empresas, que estão tendo dificuldades de se financiar durante a pandemia do novo coronavírus. 

O dinheiro emprestado terá juros de 3,75% ao ano para para companhias com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. A empresa só começa a pagar o empréstimo seis meses após o recebimento do dinheiro, podendo pagar em até 36 meses.