Preço do petróleo segue em queda livre na crise

Produtores pagam para se livrar da produção

Nesta segunda-feira(20), o preço do barril de petróleo registrou preço negativo pela primeira vez na história, o que reflete a preocupante situação do segmento em meio a pandemia do novo coronavírus. Nesse cenário, produtores têm pagado para se livrar da produção. 

Em entrevista ao Valor, Antoine Halff, ex-analista chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) para o setor de petróleo, hoje pesquisador no Center on Global Energy Policy, da Universidade de Columbia (EUA), explicou que quanto mais a capacidade de estocagem de petróleo ficar saturada, mais o preço do barril vai continuar baixo. Além disso, a contação continuará limitada mesmo depois que a demanda começar uma retomada. 

Ainda de acordo com ele, o desmoronamento do preço do petróleo estava previsto levando-se em conta o “crash” da demanda. Houve um acordo entre Arábia Saudita, Rússia, EUA e outros países para cortar a produção. 

No entanto, Halff explica que nenhum corte de produção é suficientemente rápido para compensar inteiramente a perda da demanda e evitar um aumento dos estoques que provoca inevitavelmente uma baixa do preço.

A previsão para o mercado é continuar tendo produção de petróleo e um crescimento nos estoques, obrigando os produtores a baixar sua produção, seja no âmbito do acordo da Opep+, seja simplesmente por falta de mercado em resposta à queda de preço.

Para Halff, é difícil dizer até quando os preços vão continuar diminuindo. Não se sabe ainda qual será o ritmo da retomada econômica. Assim, vamos continuar a ver uma baixa de preço do petróleo porque, mesmo se a demanda for retomada, não vai ser de um só golpe.