Mulheres estão no comando de 30% das startups maranhenses

Número fica acima da média nacional, mas a desigualdade de gênero ainda é uma barreira a ser vencida

Por Letícia Höfke 

Recentemente, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) revelou que, apesar de haver 24 milhões de empreendedoras no Brasil – quase o mesmo número de homens -, apenas 15,7% das startups do país têm como líder uma mulher. No Maranhão, no entanto, esse número é um pouco maior.

“O Maranhão tem pouco mais de 55 startups. Cerca de 30% delas têm fundadores ou cofundadores do gênero feminino; estatística que está um pouco acima da média nacional, que é de 15% conforme pesquisa”, explica a professora da IEMA, Jéssica Almeida dos Santos.  “Mesmo esse número sendo expressivo do ponto de vista nacional, quando se analisa o percentual de startups fundadas exclusivamente por mulheres, esse número não passa dos 13%”. 

A CEO da Startup maranhense ToxicFree, Fernanda Jeniffer Lindoso acredita que São Luís tenha um ambiente propício para mulheres. “Posso dizer que aqui em São Luís, as mulheres jovens e até de mais idades estão bem engajadas e exercem cargos de liderança”.

Desigualdade ainda é um problema

Contudo, apesar da boa notícia, a desigualdade de gênero ainda é um fato que precisa ser superado, já que as mulheres continuam enfrentando diversas dificuldades para atingir a liderança de startups. 

“Os desafios que as mulheres maranhenses enfrentam não são diferentes do restante das brasileiras. A principal barreira com certeza é a falta de confiança dos investidores nos negócios gerenciados por mulheres. E o principal desafio é como inserir a mulher em ambientes tecnológicos e inovadores, onde ela seja protagonista, aquela que aplica de forma inovadora ou desenvolve tecnologia”, diz Jéssica. 

De acordo com Jéssica, algumas medidas já vem sendo tomadas no Maranhão como forma de incentivar o empreendedorismo feminino como, por exemplo, conferências inovação exclusivamente femininas; grupos de mulheres que trabalham para incentivar e inserir outras mulheres no ramo da tecnologia; mulheres que são motivadas a desenvolverem o conhecimento no ambiente de trabalho e levam isso para o público feminino externo através de redes sociais, entre outros.

“De modo geral, apenas uma mulher pode de fato sentir a dor de ser desacreditada no mercado apenas por ser mulher, logo, ninguém melhor para motivar e mostrar alguns caminhos do que outras mulheres. Precisamos de iniciativas governamentais, privadas e acadêmicas que concentrem o maior número de mulheres possível para serem treinadas, qualificadas e, principalmente, motivadas. Estou falando de ações concretas, com calendários muito bem definidos, de forma geograficamente descentralizada, que ajudem a colocar a mulher de fato nesse mercado de startups”, diz Jéssica.