Como o coronavírus pode afetar economia do Maranhão

Pandemia está elevando o risco da economia mundial entrar em recessão

Por Letícia Höfke 

Nesta quarta-feira (11), a OMS declarou pandemia para o Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. Pandemia significa que a doença se disseminou mundialmente.

Esse avanço aumentou o risco de uma recessão global em 2020
para economias importantes além da China, como EUA, Coreia do Sul e países da Europa,

Tendo em vista o comércio com a China, o risco do Maranhão nas atividades comerciais também aumentou. Segundo a economista formada na UFMA Raphaela Sereno, a recessão econômica chinesa refletiu no Brasil, que sofreu impacto no atraso das exportações, o que gerou redução comercial e desemprego. 

“A crise sanitária e econômica causou um descontrole cambial, crise nas bolsas de valores, desemprego, redução do PIB, insegurança de renda para os trabalhadores e bilhões de reais em impostos a menos que serão arrecadados pela União. O impacto no Brasil se direciona para seus Estados e o Maranhão possui o risco nas atividades comerciais, diante do cenário desfavorável,  podendo-se dizer que está em risco de recessão econômica”, explica ela.

Rafaela explica ainda que o Maranhão precisa tomar medidas imediatas para impedir uma recessão econômica. “O reflexo da crise no Brasil leva os estados a tomarem medidas para recuperar a economia, e  o impacto nas exportações já pede que o Maranhão tenha medidas imediatas para suprir tal cenário, até porque São Luís, Imperatriz e Balsas se destacam na exportação de produtos como soja, celuloseóxido e hidróxido de alumínio, minério de ferro, entre outros.

Segundo a economista, o Maranhão precisa manter também a busca por mais investimentos em obras públicas, para ativar a atividade econômica, além de ter iniciativas de proteção para o sistema de saúde,  prevenindo o coronavírus.

O que diz o governo maranhense

Nesta quinta-feira (12), o governador Flávio Dino se pronunciou acerca do coronavírus. Segundo ele, o enfrentamento ao vírus precisa de união, medidas emergenciais e ações para evitar a paralisia da economia.

Flávio Dino afirmou que o estado está alinhado com as orientações do Ministério da Saúde, além de aguardar a liberação de recursos imediatos para o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado e dar início a preparação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com casos confirmados da doença.

Em relação a economia, o governador falou que está concentrando recursos nas obras públicas, que são essenciais para a sociedade e para a manutenção da atividade de empresas e empregos.

Recessão mundial 

De acordo com uma reportagem do Valor Econômico, se o coronavírus, que já atinge 104 países, continuar a derrubar mercados, o mundo dificilmente poderá escapar de uma recessão.

Na última semana, o Goldman Sachs, grupo financeiro multinacional, mudou sua projeção de crescimento da China de 5,9% para 5% para 2020. Para os EUA, a revisão foi de 2,1% para 1,3%. E para a economia global, de 3,2% para 2%.

Já a Oxford Economics, rebaixou a projeção de crescimento global de 2,5% para 2% neste ano; contudo, de acordo com o grupo, a recessão ainda é uma consequência evitável da epidemia.

O banco holandês Rabobank, no entanto, vê uma recessão global como quase certa, principalmente na zona do euro. O banco prevê que a zona do euro crescerá 0,2% no ano, ante 1% previsto anteriormente, com expansão zero ou contração do primeiro ao terceiro trimestre.