“Influenciadores irreais” são a nova aposta do marketing

Gerados por computação gráfica, eles chegam a ter três vezes mais engajamento que os influenciadores reais

Lil Miquela é uma influenciadora virtual que tem 1,9 milhão de seguidores no Instagram

Por Letícia Höfke 

Os Influenciadores digitais estão cada vez mais presentes na sociedade, e as marcas sempre ficam de olho em seus perfis para divulgar seus produtos. Atualmente, a publicidade através deles é uma forma de marketing impossível de ignorar. Mas e se esses digital influencers não forem reais? 

Chamados de “influenciadores virtuais” e controlados por marcas e agências de publicidade, eles não são de carne e osso, mas gerados por computação gráfica 3D e inteligência artificial. Seus seguidores, no entanto, são bem reais e segundo a Hype Auditor, no fim de 2019, esses influenciadores tiverem quase três vezes mais engajamento que os de verdade. Seu maior público está nos Estados Unidos (23%), seguido respectivamente, do Brasil (9%), Rússia (5%), Turquia (3%), Itália (2%) e Japão (1,6%). 

Conheça os influenciadores 

Com 1,9 milhões de seguidores no Instagram, Lil Miquela é descrita como uma modelo metade brasileira e metade espanhola. Assim como as blogueiras reais, ela faz posts comentando roupas e maquiagem e se manifesta sobre diversos temas, como os direitos LGBT+. Criada pelo estúdio transmídia Brud, no Vale do Silício, Miquela também já participou de campanhas para Calvin Klein, Chanel e Dior

Criada pelo designer alemão Joerg Zuber, a blogueira Noonoouri tem 349 mil seguidores. Apesar de não ser tão realista quanto Lil Miquela – tendo um design estilo mangá -, a influenciadora já posou para a revista Harper’s Bazaar e fez campanha para a Dior e Kim Kardashian e Jacobs.

A primeira modelo digital de sucesso foi a Shudu. Com 198 mil seguidores, a criação é do fotógrafo e artista 3D Cameron-James Wilson. Inspirada na Barbie “princesa da África do Sul”, o design dela é tão realista que por meses, houveram especulações acerca de sua autenticidade. 

E no Brasil? 

A Magazine Luiza está investindo em sua influenciadora virtual Lu do Magalu.  Influenciadora virtual 3D e criadora de conteúdo, a Lu tem 2,8 milhões de seguidores no Instagram e já posou ao lado de famosos como, por exemplo, a apresentadora Maísa Silva, além de fazer propaganda para a sua própria marca. 

A Natura tem a Nat, sua influenciadora com 144,6 mil seguidores no Twitter e que também faz propaganda de sua própria marca, além de se manifestar sobre diversos assuntos como, por exemplo, o dia da mulher e o carnaval. 

Saúde mental 

Contudo, psicólogos afirmam que influenciadores virtuais podem ser perigosas para a saúde mental dos usuários. As redes sociais e os digital influencers constroem a ilusão de vida perfeita. Vários estudos já ligaram o uso delas à ansiedade e depressão, e o Instagram é considerado o aplicativo mais nocivo a saúde mental. De acordo com a psicóloga maranhense Letícia Barros, a proposta de influenciadores irreais é interessante quando usada para propagandas. No entanto, a marca precisa ter cuidado com o que é transmitido para o público. 

“Sendo reais ou não, os influenciadores vendem um estilo de vida que as pessoas estão cada vez mais tentadas a consumirem. Se antes já existia a constante vontade de se tornar o ser-humano perfeito, quando se trata dos influenciadores irreais, isso aumenta. As marcas vendem um estilo de vida que nem mesmo existe, sendo, portanto, impossível de alcançar”, afirma Letícia.