China atrasa entrega de celulares e impacta funcionamento de lojas brasileiras

A LG em Taubaté, por exemplo, passará 10 dias com as portas fechadas

57% das empresas associadas estão com problemas no recebimento de materiais que são enviados da China (foto: reprodução)

A partir de segunda-feira (2), alguns representantes de vendas de smartphones irão diminuir, por tempo determinado, a importação de celulares importados da China.

Mas a questão não tem ligação com o corovírus, a princípio. O fator desencadeante foi a demora no recebimento de componente do país asiático.

Muitas empresas brasileiras, dependentes dessa entrega, estão descontinuando a produção por tempo determinado. A Motorola do interior de São Paulo aderiu ao movimento. Outra marca que aderiu a essa solução paliativa é a unidade da LG em Taubaté, que passará 10 dias parada.

Serviços “pausados”

Assim como as empresas citadas acima, outras também vão “pausar” os trabalhos. A Flextronics, que já havia entrado em recesso entre os dias 17 e 28 de fevereiro, irá novamente passar por novas “férias” entre os dias 9 e 28 de março.

O prazo para o retorno de cerca de 80% dos funcionários estava prevista para o último dia 26, mas a empresa prorrogou o prazo e só retornaram dia na sexta (28), logo após o carnaval.

No ano passado, foram R$ 32,8 bilhões negociados em relação ao setor, o que representa 42% de compras de eletrônicos da China. Outros países do continente asiático negociam, em média, 38,3% dos produtos. José Francisco Salvino, presidente do SindMetal de Jaguariúna, esclareceu que a questão já havia sido tratada entre os responsáveis. Ele explicou a necessidade de reduzir temporariamente a atividade na fábrica pois não conseguia receber um componente necessário à montagem.

Maior declínio ligado ao setor

Dados da Abinee apontaram que 57% das empresas associadas estão com problemas no recebimento de materiais que são enviados da China. Entre todos os segmentos do país, a China constatou maior declínio no setor da produção chinesa. O avanço indica o agravamento da situação das indústrias que dependem de componentes externos, relata o presidente da associação, Humberto Barbato.

A redução na importação destes aparelhos parece impactar o setor e economia brasileira, mas, por enquanto, não é uma situação para pânico. De acordo com a Abinee, ainda não há risco de faltar produtos como celulares e computadores no mercado brasileiro. Mesmo não sendo fator principal, a epidemia poderá, no futuro próximo, entrar para a lista de efeitos negativos nos estoques, segundo a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Eletroeletrônicos).