Leilões movimentam economia gerando R$ 65 bi para os próximos 30 anos

Na próximo dia 8 acontece o leilão do corredor Piracicaba-Panorama, em São Paulo e o leilão da BR-101, em Santa Catarina

O esperado é contratar R$ 65 bilhões em investimentos para os próximos 30 anos (foto: reprodução)

Com a previsão de pelo menos nove leilões de concessões rodoviárias, o ano de 2020 já começa a apresentar melhora para o setor. O esperado é movimentar R$ 65 bilhões em investimentos para os próximos 30 anos.

Leilão do corredor Piracicaba-Panorama e leilão da BR-101

Para este ano, ainda são esperados mais projetos devido uma série de programas estaduais em estruturação, valendo lembrar, que licitações federais e do Estado de São Paulo já foram inclusas no cálculo pré-estabelecido para o ano de 2020. Na próxima quarta-feira (8) irá acontecer o leilão do corredor Piracicaba-Panorama, em São Paulo e o leilão da BR-101, em Santa Catarina.

Joia da coroa

As maiores expectativas giram em torno da “joia da coroa” do pacote de concessões federais, a licitação da Nova Dutra. O que se espera é gerar – por meio da nova concessão – de R$ 17 bilhões de investimentos na rodovia. De acordo com analistas, a rodovia é vista como extremamente atrativa, principalmente devido ao elevado tráfego de passageiros garantido, com risco de demanda quase nulo.

Para Marcos Ganut, líder de infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal, além do pacote federal e do governo paulista, o mercado deverá acompanhar os programas de desestatização em outros estados, como: Minas Gerais, Paraná (que deve ser feito com a União), Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A atratividade desses pacotes, porém, dependerá da modelagem de cada contrato.

Ganut continua dizendo que alguns editais terão que encontrar formatos mais palatáveis aos investidores, com outorgas menores e mais flexibilidade. Em rodovias em que há maior insegurança no tráfego, será preciso criatividade para atrair o setor privado. Segundo ele, isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), em que o governo entra com parte dos recursos, ou pacotes que combinem estradas mais movimentadas com outras menos atrativas.

Novas oportunidades para o setor

Com a diversidade de leilões, as oportunidades para novos grupos participarem do setor tendem a crescer. É muito provável a participação de operadores europeus tradicionais, entre eles já são citados, por exemplo, as espanholas Acciona e Ferrovial, a francesa Vinci e fundos de private equity.

Por meio de um dos leilões rodoviários do governo do Mato Grosso do Sul, quem estreou foi a Global Logistic Properties (GPL), líder em galpões logísticos no país. Outra estreante no segmento foi a chinesa CCCC (China Communications Construction Company) que arrematou um contrato na Bahia, para operar a ponte Salvador-Itaparica. O mercado também já pode ir se preparando para o retorno dos consórcios de empresas locais, de menor porte, principalmente para as concessões estaduais.

A advogada Marina Anselmo, sócia do Matos Filho, declarou que hoje, as principais barreiras para a entrada de novos grupos no mercado de rodovias são a insegurança regulatória e o risco de demanda de passageiros. Existem poucas vias de tráfego conhecido no país, e nos últimos anos vimos muitos casos de concessões que deram errado justamente por problemas de demanda. É um risco difícil de precificar.

Sinais de amadurecimento

Ela ressalta que apesar das incertezas, Ganut avalia que o mercado tem dado sinais de amadurecimento. O governo federal fez um papel importante para aumentar a segurança jurídica nos últimos anos. Isso deverá atrair interessados aos leilões.